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“Vamos intensificar a nossa cooperação com novos investimentos”

O conselheiro económico e comercial do Reino de Espanha em Angola, Manuel Varela, diz que o seu País está disposto a intensificar os investimentos no País em diferentes sectores como as infra-estruturas, indústria e nas pescas, sem desprimor dos outros ramos, com a vista a contribuir cada vez mais com o desenvolvimento da economia do País.

Luanda /
16 Jun 2019 / 12:27 H.

Qual é o estado das relações económicas-comerciais entre Angola e o Reino de Espanha?

As relações económicas entre Angola e o Reino de Espanha datam praticamente desde a era colonial e foram crescendo ao longo desses anos todos. Tenho a salientar que foi apenas nesses últimos anos que Angola enfrenta uma crise económica e cambial, que essas relações foram afectadas e sofreram um revés, porque muitas empresas começaram a enfrentar problemas de fornecimentos por falta de pagamentos, particularmente a partir de 2014. Nesta altura nos encontramos numa etapa de relativa estabilidade, nas relações económicas entre as duas nações. Espanha conta agora com um novo Governo, que vai traçar novas políticas e está comprometido com a transparência e com a estabilidade económica também do País, com vista a atingir o objectivo de desenvolvimento económico e social de Angola.

Quais são os números que nos pode avançar sobre as trocas comerciais entre os dois países?

Reitero que Angola e Espanha são bons parceiros e têm fortes vínculos económicos. Em termos de comércio bilateral, nos últimos quatros anos, o volume de negócios está fixado em 7,5 mil milhões de Euros, baseadas sobretudo nas exportações de Angola para Espanha, consubstanciada na venda de petróleo bruto. Antes da crise que vive Angola, o comércio bilateral estava fixada em cerca de 2 mil milhões de Euros de exportações de Angola/ano e entre 200 e 400 milhões de Euros de exportações de Espanha para Angola. Entretanto, nesses últimos dois anos as trocas comerciais diminuíram muito, estando avaliada em 1,7 mil milhões de exportações angolanas. Ou seja, a balança comercial foi sempre favorável a Angola.

Angola exporta fundamentalmente petróleo para Espanha. Por outro lado, em que se baseiam as exportações espanholas para Angola?

Ao contrário de Angola, as exportações de Espanha estão bastante diversificadas, sendo dominadas pelos bens industriais, mas não podemos deixar de ressaltar a importância dos bens de consumo, que atingem 15% das exportações espanholas para Angola e também os bens agro-alimentares e bebidas que compõem cerca de 10% dessas exportações. Evidentemente que os bens industriais, particularmente as máquinas e equipamentos mecânicos, materiais plástico, aparelhos eletrónicos, maquinaria agrícola dominam as exportações do nosso País. Portanto, a componente industrial é a quarta parte das exportações de Espanha para Angola.

Actualmente, quais são os programas de investimentos que o Reino de Espanha desenvolve em Angola, com vista ao fomento das relações económicas entre os dois países?

O nosso objectivo é identificar e tratar de materializar as oportunidades de negócios que Angola oferece, para que os exportadores e os investidores espanhóis possam contribuir para o crescimento económico de Angola. Para tal, estamos a implementar uma série de projectos, que fazem parte da Secretaria de Estado de Comércio Exterior, que tem servido de apoio para a implantação das empresas espanholas em Angola. Em particular, existem três grandes instrumentos financeiros em curso, nomeadamente o seguro de crédito à exportação, o fundo para a internacionalização de empresas espanholas e os financiamentos para o investimento a nível do COFIDES - Companhia Espanhola para o Financiamento do Desenvolvimento. Além disso, nós também fornecemos serviços, como instrumentos de promoção comerciais, além da organização de missões empresariais a Angola.

Quais são os investimentos espanhóis em Angola?

As nossas relações têm evoluído satisfatoriamente e Espanha tem participado directamente nos projectos de investimentos para o desenvolvimento das infra-estruturas do País em vários domínios, como no sector eléctrico, tratamento e distribuição de água potável e frio industrial.

Por outro lado, quais são os investimentos que Angola detém no Reino de Espanha?

Em termos oficiais não há dados concretos de investimentos, quer estatais, quer privados de Angola em Espanha, mas em termos de comércio bilateral ressalta o petróleos e o sector das pescas na cooperação. Em que lugar se encontra Angola no contexto das trocas comerciais entre o Reino de Espanha e o continente africano? A Espanha tem uma relação muito próxima, digamos mesmo tradicional e histórica com os países do norte de África, ou seja, do Magrebe. Em 2014, por exemplo, Angola foi o sexto fornecedor de petróleos bruto à Espanha no contexto global, com uma quota de 25%. No que a África diz respeito, sublinha-se que Angola é o quinto maior parceiro económico de Espanha na África subsariana, depois da África do Sul, Nigéria, Costa do Marfim e o Senegal. É nesta altura o principal destino do financiamento espanhol em África, cujo relacionamento teve início na década de 80.

Existe alguma linha de crédito da Espanha destinada a Angola?

Existem algumas linhas abertas. Em termos de cobertura de seguro de crédito, temos finalizado o financiamento de quatro projectos no valor de 200 milhões de Euros. Existem outros 200 milhões de Euros que estão a ser negociados entre os dois Governos para o desenvolvimentos de diferentes projectos nos próximos anos. Temos um mecanismo específico que é o fundo de internacionalização de empresas, que serve para o apoio de pequenos perojectos de empresas espanholas em Angola, que podem ser equivalentes até três milhões de Euros. Tratase de um instrumento mais ágil e rápido no financiamento aos pequenos projectos. Por último, a Espanha conta com investimentos de empresas espanholas em Angola, que dispõe do apoio directo da COFIDES, que tem disponível 75 milhões de Euros para financiamento.

Que projectos serão apoiados com a disponibilização dos primeiros 200 milhões de Euros?

Com este valor está previsto a construção e reabilitação de algumas infra-estruturas ferroviárias, um projecto de construção de escolas na província do Uíge, um projecto de construção de uma rede de distribuição de electricidade em Mbanza Congo, província “ Nos últimos quatros anos, o volume de negócios está fixado em 7,5 mil milhões de Euros, baseados nas exportações de Angola do Zaíre e um projecto de reabilitação da central hidroeléctrica no município da Matala (Huíla). Estes projectos já foram aprovados e já estão no seu início. Quanto ao outro montante, a sua aplicação será decidida a posterior pelos dos dois governos.

Em relação à agricultura e a indústria, quais são os grandes investimentos de Espanha no País?

Há sim alguns projectos nestes sectores, mas acontece que muitas iniciativas começaram há cinco ou 10 anos e alguns deles ficaram meio adormecidos devido à crise económica que Angola atravessa. Há empresas espanholas que trabalham no interior do País e colaboram com os governos provinciais no sector da agricultura, que mereceram elogios recentemente do Ministério da Agricultura. No sector industrial, por exemplo, há um projecto ligado às pescas, em Cacuaco, na Cefopescas, à cargo da Incatema Consulting, uma empresa de projectos internacionais, que actua principalmente nos ramos da agricultura e das pescas. Por outro lado, existem grandes projectos de carácter estrutural e estratégico em curso em Angola, da qual a Espanha está a participar, como o PLANAGEO. A Espanha participou igualmente da construção da central hidroelétrica de Laúca, construção da nova Assembleia Nacional, entre outros perojectos.

Em relação às visitas com missões empresarias, o que está reservado para este segundo semestre do ano?

Nos últimos dois anos houve uma letargia com relação a visita de empresas espanholas a Luanda, devido a situação vigente em Angola. Havia a possibilidade de se fazer negócio, mas não havia capacidade de se concretizar os pagamentos. Este ano já recebemos acima de 10 solicitações de empresas e associações empresariais para a realização de rodadas de negócios entre empresários dos dois países. Estamos a trabalhar para a vinda de pelo menos cinco missões empresariais espanholas a Luanda ainda este ano. Geralmente as missões comerciais são organizadas com a colaboração das câmaras de comércio locais. Temos contactos avançados coma missão de Ciudad Real, em Madrid Alicante e Tarragona. A primeira chega a Luanda já neste mês de Junho. Ler mais na edição em papel.