“Modelo de governance condiciona valor da venda na privatização”

O Presidente da Parpública, concedeu uma entrevista ao sobre o contributo da sua organização ao sector empresarial do Estado.

23 Nov 2018 / 09:38 H.

Que contributo a Parpública pode trazer ao mercado de capitais em Angola e ao IGAPE?

Temos feito o acompanhamento do sector empresarial do Estado com um conjunto de métricas e dado apoio ao próprio Ministério das Finanças nesta área. Desempenhámos, durante um período relativamente longo, tarefas associadas aos exercícios de reprivatização de ou de alienação de participações públicas, pelo que estamos habituados a lidar com os consultores que acompanham estes processos, as empresas e os mercados, e a forma de qualificá-las para que possam ser adequadamente vendidas. Penso que podemos trazer alguma experiência e conhecimento.

Em que privatizações estiveram envolvidos?

Nos mais diversos sectores: da energia ao transporte aéreo, correios, etc..

As dificuldades variam com os sectores?

Não há uma abordagem transversal. Cada empresa é uma empresa. Os exercícios de privatização dão muito trabalho em função do próprio interesse dos investidores potenciais. A grande dificuldade é trabalhar a informação, para que quem está a gerir o processo consiga ter dados em quantidade e em qualidade suficientes para lidar com uma contraparte que, normalmente, é um grande especialista no sector ou no tipo de empresas em causa.

Os investidores são indicados pelo governo, ou a Parpública também procura interessados?

Fizemos, em vários casos, um trabalho de qualificação da informação e dos dados financeiros associados, e com esse exercício conseguimos atrair um conjunto de investidores. Em função dos sectores, há situações em que é preciso fazer um pouco mais de trabalho junto de players do mercado para alargar a base de interessados. Mas varia: há determinado tipo de empresas em que não é preciso andar à procura de investidores.

Quais as mais atractivas, em geral?

As utilities costumam ser muito apetecíveis.

Os investidores são sempre exigentes?

São todos. Fechar um acordo de privatização ou um contrato de alienação de uma participação é muito complexo do ponto de vista económico e jurídico. Os níveis de exigência são muito grandes, e o trabalho que a Parpública e outras entidades têm que fazer na defesa do interesse público é muito importante.

Quanto tempo pode demorar a preparação de uma privatização?

Seis meses, um ano? Dificilmente se faz uma privatização em seis meses, mas depende sempre do estado da empresa, da empresa em si, do mercado, da sua apetência em dado momento. O prazo pode ser mais ou menos longo, mas várias das experiências de privatização que levámos a cabo foram sendo feitas ao longo do tempo, em diversas tranches.

O gradualismo ajuda nestes processos?

Sim, desde logo porque, se estivermos a falar de empresas de grande dimensão e em que estão envolvidos grandes valores, é óbvio que a capacidade de escoar em mercado e de lidar com as características do próprio mercado numa dada altura é muito mais favorável.

Privatizar via bolsa ou por venda directa torna os processos muito diferentes?

A distinção principal entre um IPO e uma venda directa tem a ver, sobretudo, com as características do activo.

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