“Estamos a apostar na produção local construindo fábricas integradas ”

Chairman do grupo Noble, que detém a rede de supermercados Angomart e Nossa Casa revela a estratégia que está a ser adoptada para garantir o abastecimento de produtos aos 70 supermercados do Grupo, com foco na produção nacional, para contornar limitações como o acesso as divisas.

Luanda /
12 Ago 2019 / 11:36 H.

Como surgiu o Grupo Noble, até se tornar num dos maiores grupos retalhistas?

Comecei a minha vida em Angola em 2002. Estou no País há 17 anos. Comecei o grupo como um negócio de importação e depois diversificámos o investimento, expandindo para o comércio e, mais tarde, em 2009, para o sector da indústria. Em 2010 e 2011 expandimos para a área de transporte. Com o fomento da diversificação económica, entrámos também na agricultura.

O que estão a produzir?

Estamos a produzir hortícolas no pólo agrícola da Quiminha. Este ano iniciámos também a produção de soja e estamos a construir uma misturadora para a produção de adubos em Benguela.

Quantos hectares estão a ser cultivados e qual a previsão da colheita?

Temos um terreno de aproximadamente 180 hectares cultivado. Até ao fim do ano, a meta é produzir entre 100 e 200 toneladas, sem contar com a cebola e a batata, que leva mais ou menos seis meses para colher.

Qual será a capacidade da fábrica de adubos de Benguela?

De aproximadamente 500 toneladas por mês.

Em que fase se encontram as obras de instalação?

Estamos a registar um ligeiro atraso por causa de um litígio com a população que reside na área em que foi projectada a fábrica. A população pensa que pode provocar poluição. Pedimos a uma agência independente para realizar o estudo de impacto ambiental para queue nos diga se podemos avançar com o acabamento da montagem da fábrica ou não.

Além da fazenda na Quiminha e da fábrica que estáem Benguela, em que sectores da actividade económica o Grupo Noble actua ?

Noble Group, através dos supermercados Angomart está presente em 14 províncias. Actuamos no sector industrial com uma fábrica de caixas de papel, fabricamos cosméticos, varões, leite, refrigerantes, detergente e fraldas.

Tudo isto somado, em quanto é que está avaliada a carteira de negócios do grupo no País?

Já investimos no País acima dos 200 milhões USD e prevemos investir mais 50 a 60 milhões USD no próximo ano.

Quantos postos de trabalho o grupo criou com estes investimentos?

Até ao momento temos mais de 6000 colaboradores nacionais a trabalhar nas empresas do grupo e 400 expatriados. No fim deste ano vamos abrir mais cinco lojas Angomart e dez lojas Nossa Casa e contamos empregar mais 1000 pessoas.

Onde é que serão abertas as novas lojas?

Vamos abrir uma loja em Talatona, cujas obras decorrem a bom ritmo, São Paulo, Luanda Sul e Zango III. Vamos abrir também novas lojas no Soyo, Uíge e Malange. No sector da indústria, estamos também a construir uma nova linha de fabrico de embalagens de lata e para vinho. Com estes novos investimentos contamos empregar mais 300 pessoas com quando entrarem em funcionamento. Ou seja, até ao fim deste ano, em todas as empresas do grupo, estamos a prever empregar entre 1000 a 1300 novas pessoas.

Com quantas lojas é que o grupo conta no País?

Temos um total de 70 postos de vendas operacionais (lojas e supermercados) e 5 armazéns centrais de distribuição. Até ao fim deste ano vamos abrir mais cinco supermercados Angomart.

Qual é o foco da vossa actividade no ramo dos transportes?

Temos uma frota de 100 camiões e 950 traileres que fazem o transporte dos nossos produtos para os centros de comercialização e prestamos também serviços a outros supermercados que queiram transportar os seus produtos de maneira segura para fazer chegar a outros pontos do País. O principal foco com esta empresa é fazer chegar mercadorias às provinciais.

Olhando para o contexto da economia, qual tem sido a vossa maior dificuldade?

Neste momento, para uma empresa que quer crescer, a nossa maior dificuldade é o acesso à divisas.

Uma vez que a vossa actividade não está parada por falta de divisas, o que é que têm feito para dar à volta à falta de divisas?

Estamos a apostar na produção local, construindo fábricas integradas que nos permitam obter tudo localmente, desde a matéria-prima até ao produto final. Para dar um exemplo, antes importávamos 200 a 300 contentores de uísque, mas hoje estamos a fabricar cá, porque importar esta bebida é como importar água, uma vez que 80% da matéria-prima é a água. Hoje só estamos a importar o álcool porque a água já está aqui. Importávamos também as garrafas, agora vamos começar a produzir também cá. O mesmo se passa com os cosméticos, que são 80% compostos por água, por isso deixámos de importar e começámos a produzir cá. Instalámos também a fábrica de bolachas porque cá há farinha de trigo e há a Biocom a produzir açúcar. Ter os factores de produção localmente é vantajoso e permiti-nos produzir com qualidade e a um preço competitivo.

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