“Devem ser adoptadas estratégias precisas para o sector privado”

O especialista em Administração de Empresas e Negócios Internacionais é de opinião que o Executivo deverá traçar estratégia claras e precisas para os sectores da agricultura e da indústria: motores da diverssificação, com vista a estabilização macroeconómica do País, que dariam azo à capitalização e ao desenvolvimento do sector privado.

Angola /
03 Jan 2019 / 12:29 H.

A nível do sector económico, quais são os principais desafios que se impõem em 2019?

A situação da economia de Angola vem se degradando desde o início da crise de 2014 derivada, sobretudo, da redução do preço de barril de petróleo. A degradação dos indicadores macroeconómicos tem trazido consequências no sector social, tal é o caso do forte aumento do desemprego ocasionado, em grande medida, pelo encerramento de muitas empresas, maioritariamente de micro, pequenas e médias dimensões. Um dos desafios com a diversificação da economia permitirá a redução substancial da importação de bens que podem ser produzidos internamente, de formas a dar prioridade à importação de bens de capital (máquinas, equipamento, tecnologias, entre outros). Portanto, deverá traçar-se uma estratégia muito séria para os sectores da agricultura e da indústria.

A diversificação da economia deve contar com a participação activa do empresariado nacional, que está descapitalizado. Como encara essa situação?

O processo de privatização de empresas públicas, que tem sido pouco eficiente, têm trazido mais custos que benefícios para o Estado, deve ser sério e devidamente fiscalizado para que estas empresas passem para verdadeiros empreendedores e as possam transformar em mais-valia para o Estado por meio da arrecadação de impostos. O sector privado da economia nacional deve ser um importante aliado do Estado na consolidação do processo de diversificação da economia, pois, com a dinamização deste sector promove-se a inclusão, que permitirá que todos os cidadãos tenham as mesmas oportunidades para demonstrarem o seu potencial empreendedor. Assim será possível gerar um ambiente cada vez mais competitivo entre as unidades produtivas, que promoverá maior eficiência no processo de criação da riqueza nacional, nomeadamente a promoção das exportações não petrolíferas e a substituição das importações.

Este processo também pode ser afectado devido à redução do preço do petróleo e a diminuição da quota de produção por parte da OPEP?

Um aumento substancial no preço do barril de petróleo teria impacto directo em toda a cadeia de suprimento global. Aumentaria também o preço dos serviços e de todos os bens cuja matéria-prima para a produção é o petróleo, desde os transportes, os cosméticos, os fertilizantes utilizados na agricultura, os vestuários feitos com fibras sintéticas petroquímicas, os produtos farmacêuticos, entre outros. Portanto, o ideal é que o preço do barril do petróleo se estabilize nos 70 USD por barril. Tendo em atenção a estratégia da OPEP e aliados, de corte da produção de petróleo na ordem de 1,2 milhões de barris/dia, espero que em 2019 o preço do barril se estabilize naquele valor. Caso contrário, deverá fazer-se os devidos ajustes, tendo em consideração à necessidade de se manter a dotação orçamental do sector da agricultura, por se apresentar como a base do processo de diversificação da economia.

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