“A grande maioria das empresas não está preparada para a introdução do IVA”

O novo Presidente do Conselho de Administração da SISTEC - Sistemas, Tecnologias e Indústria, António Candeias prevê um ano difícil, considera que é o período menos propício para abetura da bolsa de valores e revela os números do processo de restruturação e redimensionamento da empresa que dirige.

22 Abr 2019 / 09:01 H.

Qual a sua visão sobre a economia angolana?

Segundo os dados que vamos recolhendo a situação apresenta-se preocupante face à previsão do corte do crescimento apresentado pelo Ministério das Finanças. A redução do crescimento de 2,8% para 0,4%, previsto no OGE, coloca a economia praticamente estagnada, depois de três anos de recessão.

Pensa que o novo Governo está no caminho certo?

Não temos dados que nos permitam afirmar se está no caminho certo ou não, contudo temos que reconhecer que tem havido esforços no sentido de dinamizar a produção nacional através de novos diplomas legais.

E o sector privado, acha que está entrosado com as novas políticas ou anda baralhado?

Nós fazemos parte de duas associações, a ECODIMA e a AIA. Nessas associações temos assistido a imensas iniciativas e encontros de trabalho com vários departamentos ministeriais. Fruto desses encontros assistimos já a algumas alterações legislativas que têm resolvido ou minorado alguns problemas que se viviam.

Já agora, como avalia o desempenho dos privados?

Os privados têm que ser separados em vários grupos que vão desde as grandes e médias empresas até à “zungueira” que tem um papel importante no abastecimento de bens essenciais em grandes zonas de baixo rendimento.

Infelizmente continua-se a assistir a apoios muitos diferenciados às empresas.

Quando digo apoios refiro-me ao acesso a divisas para as importações de bens comprovadamente necessários. Claro que as empresas que têm maior acesso têm condições para ter melhor desempenho.

As privatizações anunciadas podem se revelar uma lufada de ar fresco para o sector empresarial?

Muito honestamente, tenho algumas dúvidas. À excepção dos investidores estrangeiros, não vejo que as empresas nacionais tenham condições para concorrer às empresas que se pretende privatizar.

Primeiro porque as empresas que poderiam ter interesse foram violentamente descapitalizadas com as brutais desvalorizações nestes últimos dois anos. Por outro lado as empresas que se pretende privatizar estão todas ou se quisermos quase todas falidas ou em fase de pré-falência, como resultado de má gestão. Claro que ainda existem algumas pessoas com capacidade de investimento que são aquelas que sempre fizeram grandes investimentos e que sempre tiveram acesso privilegiado aos recursos.

E sector de tecnologias, onde a SISTEC está inserida tem crescido bastante...

A SISTEC tem uma grande responsabilidade neste sector. Temos um parque de equipamentos de escritório, informática e de telecomunicações (Machine in Field) de cerca de 270 milhões de USD, correspondentes aos últimos 5 anos, em clientes em relação aos quais temos a responsabilidade de dar assistência.

As restrições de acesso a cambiais estão em vias de nos impedir de continuar a dar esse suporte. É para nós revoltante não conseguirmos importar equipamentos tecnológicos e assistirmos à venda de muitos desses equipamentos em superfícies comerciais juntamente com as batatas e as cebolas, perdoe-me a figura de estilo. Nós não receamos a concorrência. O que consideramos profundamente errado e injusto é estarem, à custa dos bens alimentares, a comercializarem equipamentos tecnológicos enquanto que a nós nos são colocadas todas as dificuldades e barreiras para procedermos ao seu aprovisionamento.

Que parcerias novas precisam ser firmadas ou normas criadas para melhorar ou impulsionar mais esse sector de comercio de tecnologias?

A SISTEC, tem várias parcerias nos mais variados serviços que vão desde parcerias com os fabricantes a certificações internacionais. De facto, várias normas a nível internacional e nacional já existem e são fruto do melhor acolhimento da nossa parte. A SISTEC, de forma sustentada, vai aderindo a algumas, de maneira gradual, rumo ao aumento da sua eficiência e conquista da preferência dos clientes, tanto particulares, como corporativos.

Têm sido aprovados vários diplomas legais que vão alterar o ambiente empresarial como a Lei da Concorrência e a Lei do Investimento Privado. Qual a sua opinião?

Muito resumidamente acho positivo a introdução de mecanismos conducentes à flexibilização e agilização dos processos.