Moody’s: Activos da banca islâmica em África vão duplicar para 10% até 2023

“As finanças islâmicas devem crescer sustentadamente em África devido ao crescimento das necessidades de financiamento e ao maior conforto dos investidores globais com a estrutura legal dos títulos de dívida islâmicos”, denominados ‘sukuk’, escreve a Moody’s.

Numa análise de mercado enviada hoje aos investidores, e a que a Lusa teve acesso, os analistas escrevem que “os desejos de investimentos mais avultados liga bem com as economias de crescimento rápido do Golfo e da Ásia que têm grande populações muçulmanas com grandes quantidades de capital, o que deverá ajudar à emissão de ‘sukuk’ no continente.

Os ‘sukuk’ são títulos de dívida de orientação islâmica, desenhados de forma a não infringir as regras da religião, que proíbe a obtenção de ganhos financeiros ou juros através de empréstimos.

Segundo a Moody’s, a maioria da população islâmica africana não está ‘bancarizada’, ou seja, não tem conta aberta num banco, “o que dá uma fundação sólida para o crescimento dos ativos bancários islâmicos”, que deverão passar dos atuais menos de 5% pra mais de 10% nos próximos cinco anos.

Desde 2004, já houve 2,3 mil milhões de dólares em títulos de dívida ‘sukuk’ emitidos em África para governos e instituições financeiras, mas este valor representa apenas 0,5% do total de títulos de dívida islâmicos, ou ‘sukuk’.

A diversificação das fontes de financiamento deverá levar a aumento destas emissões de dívida, diz a Moody’s, notando que Egito, Argélia, Marrocos e Sudão já mostraram interesse numa operação deste género neste ou no próximo ano, o que leva os analistas a prever que pelo menos mil milhões de dólares deverão ser emitidos neste modelo nos próximos 18 meses.

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