Estados Unidos “atentos” e críticos do investimento chinês em Portugal

Confrontado pela Lusa se os EUA estão preocupados com o investimento chinês em Portugal, um dos pontos de acesso à Europa da denominada “Uma faixa, uma rota” (um projeto de infraestruturas chinesas por todo o mundo, com um investimento de cerca de um bilião de dólares), George Glass respondeu: “Não usaria a palavra preocupado, usaria a palavra atento”. 

Em causa está o tipo de investimento chinês que “é muito diferente” do resto dos países, já que são “empresas estatais”, com ligação direta ao poder político de Pequim, afirmou Glass, salientando que esse modelo subordina os interesses económicos aos interesses do Estado.  

“Isto não é parceria comercial, mas uma parceria política”, porque “não são empresas ou entidades privadas a fazerem transações, isto são empresas estatais”, explicou.  

Por isso, “estamos atentos”, disse, dando como exemplo o caso da EDP, em que a chinesa China Three Gorges (CTG) quer comprar a maioria do capital, através de uma Oferta Pública de Aquisição da empresa. 

A CTG e a empresa chinesa CNIC Corporation controlam quase 30% do capital da EDP, mas o embaixador diz que as autoridades norte-americanas ficarão atentas, caso a maioria do capital passe para mãos chinesas.  

A “EDP tem dez mil milhões de dólares investidos nos EUA” no setor das energias renováveis e, por isso, “estamos a olhar, estamos atentos”.  

“Uma entidade estatal comprar uma parte de uma empresa é uma coisa, é um investimento”. Agora, a “compra de uma empresa toda e com importância crítica nas infraestruturas” de um país “é diferente: é política”, salientou George Glass. 

Em entrevista à Lusa, o embaixador deu também razão às queixas de Donald Trump em relação à denominada guerra comercial com a União Europeia, contestando a discrepância das taxas alfandegárias.  

“Estas são grandes discussões que têm de ocorrer e temos de voltar aos acordos comerciais com a União Europeia (UE)”, disse o embaixador, reafirmando o empenho dos EUA “no comércio livre, justo e recíproco”.  

No entanto, se não há o mesmo tratamento dos produtos então esse comércio “não é recíproco e não é justo”, disse, dando o exemplo da Alemanha. 

“Pagamos mais impostos para enviar carros para a Alemanha do que por importar. Não estou a dizer que vamos vender mais carros na Alemanha, mas isto não é comércio livre e justo”, exemplificou.  

Donald Trump “é um empresário e vai olhar para isto sobre como funcionam as empresas entre as duas entidades”, EUA e UE, explicou o diplomata, que acredita que após a renegociação dos tratados comerciais com o Canadá e México será a vez de novos acordos com a Europa. 

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