África cresce 3,3% este ano mas os desafios na região mantêm-se, Consultora IHS

A consultora IHS Markit antecipa um crescimento económico de 3,3% para este ano na África subsaariana, impulsionado pelas perspectivas mais animadoras nas maiores economias e pela subida dos preços do petróleo, que está hoje acima dos 80 dólares.

“Projetamos um crescimento de 3,3% em 2018 e 3,4% em 2019, impulsionado pelas melhorias das perspectivas económicas nas maiores economias, condições externas salutares e recuperação dos preços do petróleo e das matérias-primas, que em conjunto vão puxar o crescimento da África subsaariana, apesar dos contínuos desafios relacionados com os desequilíbrios orçamentais e externos e as condições políticas e de segurança”, escrevem os analistas.

Na mais recente previsão sobre a evolução económica desta região, enviada à Lusa, esta consultora sediada em Londres salienta que o crescimento deste ano é quase o triplo da expansão económica de 2016 (1,3%) e é maior que os 2,7% do PIB que a média de crescimento registada nesta região.

“O desempenho económico em 2016 foi o mais baixo desde 1993, enquanto a recuperação de 2017 foi a mais baixa, excluindo 2016, desde o ano 2000”, salientam os analistas no relatório enviado à Lusa.

As maiores economias da região (Nigéria, África do Sul e Angola) vão “continuar no caminho da recuperação, apesar de os desafios se manterem”, diz a IHS Markit, apontando para um crescimento de 1,3% na África do Sul, 2% na Nigéria e de 2,3% em Angola, enquanto outros países, como os Camarões, República Democrática do Congo, Guiné Equatorial e Gabão, com economias menores, continuam fortemente dependentes da evolução do preço do petróleo para o equilíbrio orçamental.

“Estes países também avançaram com reformas de consolidação orçamental para lidar com os desequilíbrios internos e externos que surgiram com a queda dos preços do petróleo; a recuperação do petróleo para cerca de 80 dólares por barril vai dar algum alívio e ajudar a melhorar a liquidez nestas economias e sustentar a economia não petrolífera”, acrescentam os analistas da IH Markit.

Os riscos na região continuam a colocar uma sombra nas previsões de crescimento, sendo que esta consultora considera que os mais importantes são “os baixos preços internacionais das matérias-primas, a normalização da política monetária norte-americana, a saída do Reino Unido da União Europeia, o abrandamento do comércio mundial, as condições meteorológicas adversas, a instabilidade política, a possibilidade de mais descidas do ‘rating’ soberano e um declínio nos fluxos de capital”.

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