As eurobonds angolanas lideram no último ano as descidas nos juros em mercado secundário entre as emissões dos países da região subsariana.

Angola /
08 Fev 2019 / 10:12 H.

Juros das eurobonds angolanas lideram descidas

No passado dia 4 de Fevereiro, terça-feira, as yields da emissão de 1,5 mil milhões USD, a primeira, realizada em Novembro de 2015, com maturidade a 10 anos, estavam 2,202 pontos percentuais (p.p.) abaixo do valor do cupão, 9,5%.

Também os títulos da Operação Palanca 2, na qual Angola captou, em 2018, 3,5 mil milhões USD, estavam em baixa (ver quadro), ainda ligeira, no mercado secundário, face ao valor de ‘arranque’, um bom sinal para o Ministério das Finanças, numa altura em que o Governo prepara um roadshow com vista ao regresso aos mercados internacionais para ir buscar 2.000 milhões USD.

A Operação Palanca 2 – premiada em Londres como a melhor a emissão soberana de 2018, pelo GFC, um grupo internacional especializado em informação financeira – consistiu em duas emissões. Uma a 10 anos, de 1,75 mil milhões USD, com um cupão de 8,25%; e outra a 30 anos, de 1,25 mil milhões USD, a 9,375%, mais tarde complementada com mais cerca de 500 milhões USD.

Nestas emissões angolanas mais recentes, a yields negociavam, na terça-feira, 0,431 pp e 0,476% abaixo do cupão,respectivamente, igualmente a melhor marca entre as emissões analisadas pelo Mercado, onde se destaca, pela negativa, o desempenho da emissão da RDC - de 477 milhões USD com maturidade até 2029 -, com as yields a negociarem acima de 9%, que comparam com os 4% de cupão.

Também a Zâmbia estava em terreno negativo, com as yields nos 12,381%, face aos 8,970 de cupão, numa emissão de 1.250 milhões USD com maturidade até 2017.

Diz-me que yield tens...

O valor das yields é um dos indicadores de confiança, neste caso, nestas emissões, por parte dos investidores internacionais.

Ou seja, queda das yields das eurobonds angolanas é um sinal de que os investidores depositam actualmente confiança no Estado, nas políticas que estão a ser seguidas, na capacidade de Angola pagar os juros e, no final, reembolsar as emissões.