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Infraestruturas da SADC com suporte financeiro do BAD

Botsuana, Tanzânia, Zâmbia, Zimbabué, RDC, Maurícias, Seicheles, Comores e Lesoto acederam a financiamentos do BAD para investimentos em infra-estruturas, com foco no comércio regional.

19 Ago 2019 / 19:08 H.

O Banco Africano de Investimentos mobilizou 38,7 mil milhões USD no Fórum de Investimentos em África – mercado de África para investimentos, lançado no ano passado pela própria instituição, para fomentar investimentos em projectos de infraestruturas no próprio continente.

O feito marcou as grandes praças financeiras pelo facto do valor em questão ter sido mobilizado num prazo de 72 horas, o que deixa satisfeito o presidente da instituição, Akinwumi Adesina.

O banqueiro disse, aquando da cimeira da SADC, que 23% do total destinou-se a projectos de infraestruturas para o bloco regional.

Para reforçar os investimentos no continente, o BAD está a apoiar a criação de um fundo de desenvolvimento regional, para a SADC, com 1,2 mil milhões USD, para ajudar a mobilizar recursos do próprio continente para a infraestrutura regional e a industrialização.

O banco aprovou dois milhões USD, em Maio último, apenas para a operacionalização do referido fundo, incluindo para a preparação de projectos para a agricultura, farmacêuticas e mineração.

“Exorto os Estados-membros da SADC a acelerarem a sua ratificação do acordo sobre o fundo de desenvolvimento regional para que o mesmo possa começar a fazer o seu importante trabalho”, pediu Adesina.

Financiamento de projectos estruturantes

A Maurícia beneficiou de um financiamento de 104 milhões USD para a renovação de tecnologia da antiga central eléctrica de St. Louis, capital do país, melhorando a produção e distribuição de electricidade, desta maior central no país africano, para 479 mil consumidores - cerca de 36% da sua população.

Para desbloquear o potencial do projecto de energia hidreléctrica de INGA na RDC, com um potencial de mais de 44 mil megawatts, o banco proporcionou prioridade máxima face à capacidade de abastecimento do gigante eléctrico para toda a região.

“É por isso que o Banco Africano de Desenvolvimento apoia firmemente a realização do INGA 3”, disse Adesina, ao explicar que o BAD financiou 75 milhões USD para os estudos de viabilidade, para que se concretize a fase de instalação de 4.800 megawatts visando o fornecimento de electricidade a RDC, África do Sul e demais países do bloco.

A auto-estrada transafricana que interliga a Cidade do Cabo, na África do Sul, ao Cairo, no Egipto, faz parte dos investimentos em infra-estrutura que o banco promoveu ao logo de quatro anos, bem como a estrada inter-regional de 251 quilómetros entre Dodoma e Babati, capital e cidade urbana da Tanzânia, que ligam quatro países da região, incluindo Zâmbia e Quénia.

A construção da estratégica ponte rodoviária e ferroviária de 923 metros de comprimento e 18,5 metros de largura entre Zâmbia e Botsuana, num ponto da região zambiana de Kazungula onde se cruzam quatro países - Botsuana, Namíbia, Zâmbia e Zimbábue, e a melhoria do acesso ao Malaúi e RDC, é um financiamento 260 milhões USD do BAD que proporcionou 1500 empregos directos.

Infraestruturas da SADC com suporte financeiro do BAD

O Corredor da Nacala, um dos maiores investimentos em infra-estruturas da história de Moçambique, com a finalidade de transportar carvão mineral, compreende uma linha férrea de 912 quilómetros e um porto de águas profundas.

Visando a integração regional, acedeu a um financiamento de 500 milhões USD da instituição liderada por Akinwumi Adesina. O presidente do BAD diz que o referido corredor detém a chave para grande parte da integração regional na região da SADC, pois “expandirá o comércio regional em 25% e reduzirá o custo de transporte em 15-25%”.

Nos pequenos Estados insulares, Seicheles e Comores, a prioridade recai para a construção de infra-estruturas críticas, incluindo redes de água e de estradas.

A reabilitação de 94% da rede viária das Comores arrancou com financiamento de 20,4 milhões USD, num território de 1.659 quilómetros quadrados habitado por cerca de 850 mil pessoas.

Nas Ilhas Seicheles, a prioridade para financiamentos, segundo o programa do governo do referido país, vai para áreas da economia azul, das pescas e do turismo.