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Fraude no sector dos seguros é abrangente e difícil de ser detectada

O defraudador estuda e monta um cenário que lhe parece o mais adequado para dar cobertura a um determinado sinistro.

Angola /
11 Jun 2019 / 09:47 H.

A fraude é muito vasta e começa mesmo a partir da contratação do próprio seguro, sendo por isso bastante abrangente e difícil de ser detectada, considera ao Mercado António Bertelo, consultor e especialista em seguros, que conta cerca de 40 anos de experiência no sector. Segundo o especialista, existem dois principais âmbitos de fraudes, nomeadamente em relação ao seguro automóvel e acidentes de trabalho, mas é no sector automóvel, onde é mais visível e existem maiores preocupações.

António Bertelo nota que detectar a fraude nem sempre é fácil e torna-se mesmo difícil, porque, sustenta, o defraudador estuda e monta um cenário que lhe parece o mais adequado para dar cobertura a um determinado sinistro.

A fraude mais recorrente, como destaca, é aquela que ocorre quando alguém contrata um seguro, quando na verde já tem um sinistro. Ou seja, acontece na regularização do sinistro quando um automobilista, que não tem seguro e circula pelas estradas, contrata uma apólice de seguro para dar cobertura ao sinistro que já teve.

O senhor sinistro, como é também conhecido, pontualiza que a abrangência da fraude passa ainda pelo sinistro simulado, inversão da responsabilidade, falta de nexo causal entre os danos e a descrição do sinistro e pela fabricação e ocultação de informações. Adiciona ainda que a fraude tem que ver igualmente pelo exagero nos orçamentos aquando da reparação dos meios, duplicação de danos próprios, entre outros.

Não sendo fácil, António Bertelo vinca que existe alguns indicadores que chamam a atenção e indiciam a existência de fraude, nomeadamente a ocorrência de sinistro alguns dias após a celebração de um contrato de seguro automóvel.

“O segurado pode fazer um seguro agora e logo a seguir ou no dia seguinte ter um acidente”, disse, notando que quando isto acontece geralmente levanta suspeita da seguradora.

O que acontece nesses casos, conforme atesta o especialista, é as companhias mandarem averiguar os factos com o apoio de especialistas externos, a fim de tentarem perceber se de facto aquele sinistros ocorreu naquele local e nas circunstâncias em que foi participado. “Para provar que houve burla, não basta apenas afirmar.

É necessário que haja prova documental, porque senão não há fraude e este é o maior desafio que as seguradoras enfrentam: capacidade de provar que existe de facto fraude, porque nos vivemos num ambiente que estimula a fraudação, devido as dificuldades sociais-económicas do País”, disse.

António Bertelo explica que as vezes se sabe que há fraude. Porém, considera, acontece que mesmo junto das autoridades nem sempre é fácil obter a prova dos factos.

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