“BNA não está contra abertura da conta de capital” - Rui Miguêns

O Banco Nacional de Angola (BNA) “não suspendeu” pagamentos de lucros ou dividendos ao exterior e “não está contra” a abertura da conta de capital, garantiu hoje o vice-governador Rui Miguêns.

Angola /
14 Ago 2019 / 09:38 H.

Os pagamentos de dividendos ou lucros ao exterior “podem estar atrasados, mas estão a ser feitos”, afirmou hoje em Luanda o vice-governador do banco central, Rui Miguêns.

O responsável, que falava na apresentação pública do programa de privatizações para o período 2019-2022 (PROPRIV), reiterou que “não existe nenhuma ordem de suspensão de pagamentos ao exterior”.

“O BNA não está contra a abertura da conta de capital, mas tem que considerar com cautela todas as implicações que essa abertura pode ter”, explicou.

“Estamos a trabalhar com os sectores envolvidos e o Governo para que isso [a abertura] venha a ser possível”, disse Miguêns, adiantando que o objectivo é que haja “fluxos ordeiros” quer de entrada, quer de saída de capital do País.

A abertura, ou liberalização, da conta de capital tem sido reivindicada por empresários e agentes do mercado, que alertam ser essencial para a atracção de capital estrangeiro, nomeadamente no quadro das privatizações e promoção do mercado de capitais, incluindo bolsa de acções.

Contudo, a liberalização da conta de capital poderia colocar forte pressão sobre as divisas, caso os investidores desejassem retirar do País, de uma só vez, avultadas somas.

O Executivo apresentou hoje publicamente o PROPRIV, numa cerimónia presidida pelo ministro de Estado e da Coordenação Económica, Manuel Nunes Júnior, que revelou que o Governo contratou o Banco Mundial como consultor estratégico do processo de privatizações.

Em causa estão 195 empresas, ou participações em empresas, sendo que o ministro das Finanças, Archer Mangueira, admitiu que o Governo não tem ainda uma previsão da receita a arrecadar.

No início da apresentação do PROPRIV, o ministro da Estado e da Coordenação Económica, Manuel Nunes Júnior, revelou que o Executivo contratou o Banco Mundial como consultor estratégico do Estado para este programa.