Acções do Deutsche Bank caem 12% em apenas doze horas de negociação

O ambicioso plano de ajustamento anunciado no domingo pela instituição financeira alemã não conseguiu convencer os investidores, que duvidam que o banco possa atingir os objectivos. Títulos do banco alemão voltaram a desvalorizar na sessão desta terça-feira.

Europa /
09 Jul 2019 / 16:05 H.

A justificar este movimento, apontam os analistas, está o cepticismo dos investidores quanto ao plano de reestruturação apresentado pelo presidente executivo do Deutsche Bank, Christian Sewing.

Este plano terá um custo de 7,4 mil milhões de euros e prevê que o banco abandone o negócio de venda e negociação de acções, que, no ano passado, rendeu à instituição 1,96 mil milhões de euros. A banca de investimento também será reduzida e o Deutsche Bank passará a focar-se nos clientes empresariais alemães, fusões e aquisições, banca privada e gestão de activos. Já a força de trabalho será reduzida em 18 mil postos de trabalho até 2022.

O objectivo passa por chegar a 2020 com lucros, ou, pelo menos, a atingir o “break even”. Contudo, o próprio director financeiro do banco admitiu que há “uma incerteza significativa nesta estimativa”, uma dúvida que está a criar nervosismo entre os investidores.

A notícia do corte ambicioso na equipa inicialmente agradou os investidores, no entanto, desde essa altura até antes do meio-dia do dia de hoje, 9 de julho, as acções caíram em cerca de 12,5% em apenas 12 horas de negociação. Esta queda foi impulsionada pelas incertezas dos analistas e investidores que acham que os objectivos para 2020 não serão alcançados.

A decisão de reestruturar radicalmente o banco surge depois de falhada a operação de fusão com o Commerzbank em abril e de as anteriores administrações também não terem conseguido colocar a instituição a gerar mais receitas do que os custos que tem.

O banco de investimento, que representa cerca de metade do negócio do Deutsche Bank e que foi um dos principais responsáveis pela crise na instituição, será dividido em dois,csendo que o banco de transição será incorporado na unidade de clientes de retalho. A outra “metade” será eliminada. O plano visa também responder à crescente desconfiança dos mercados.