Theresa May tem agora de convencer parlamento britânico

Acordo de saída do Reino Unido da UE confirmado na cimeira extraordinária de domingo.

26 Nov 2018 / 17:16 H.

Com o acordo para a saída do Reino Unido da União Europeia aprovado pelos 27 na cimeira extraordinária do fim-de-semana, Theresa May embarca agora numa campanha interna para conseguir ultrapassar a barreira que falta: a aprovação pelo parlamento britânico. Aos deputados, a primeira-ministra irá dizer que se chumbarem o acordo, o país enfrentará “mais divisão e incerteza.”

May dirá também aos deputados que, se rejeitarem o acordo assinado em Bruxelas, levarão as negociações “de volta à estaca zero”, acrescentando: "Isso abrirá a porta a mais divisão e mais incerteza, com todos os riscos que isso acarretaria".

A primeiro-ministro vai também arregimentar o governo no apoio ao acordo, numa altura em que Downing Street teme que alguns ministros eurocépticos - incluindo o secretário do Ambiente, Michael Gove, ou o secretário de Transportes, Chris Grayling,continuam a não demonstrar o seu apoio ao acordo.

Theresa May escreveu, entretanto, uma carta aos britânicos a garantir que o acordo do Brexit tem em conta os interesses do país e de todos os cidadãos. Na missiva, Theresa May adianta que “lutará com coração e alma” para entregar o acordo do Brexit.

“Desde o meu primeiro dia, sabia que tinha uma missão clara à minha frente, um dever a cumprir em vosso nome: honrar o resultado do referendo e assegurar um futuro melhor para o nosso país pela negociação de um bom acordo do Brexit com a União Europeia”, escreveu May, recordando a “longa e complexa” negociação.

Para a primeira-ministra, o acordo serve o “interesse nacional” e serve todas as pessoas do Reino Unido, independentemente de votaram a favor ou contra no referendo que acabou por determinar a saída do Reino Unido da União Europeia.

Na carta, Theresa May enuncia vantagens do Brexit: “Vamos recuperar o controlo das nossas fronteiras”, “vamos recuperar o controlo sobre o nosso dinheiro, acabando com os pagamentos à União Europeia”, “vamos recuperar o controlo das nossas leis” e “vamos sair dos programas europeus que não funcionam a favor dos nossos interesses”, dando como exemplos a Política Agrícola Comum e a Política Comum das Pescas. Fora da União Europeia, May entende que o país será agora capaz de assinar novos acordos comerciais e abrir novos mercados em economias de crescimento mais rápido pelo mundo.

Dia trágico

Do lado europeu, o presidente da Comissão Europeia falou de uma dia triste e trágico. “É um dia triste, ver um país como o Reino Unido sair da União Europeia não é um momento de jubilação, mas sim de grande tristeza, uma tragédia, e temos que fazer tudo para que este divórcio deva ser tão amigável quanto possível”, afirmou Jean-Claude Juncker.

Questionado sobre um eventual chumbo do texto pelo Parlamento britânico, o líder do executivo comunitário reiterou que “o acordo é este, é o único acordo possível e a UE não irá alterar a sua posição”.

Temas