Catarino Luamba

O cientista social que fundou em 2016 a primeira revista angolana de Psicologia, lança agora o Psychologist Talk, um encontro bimensal que traz o debate de especialistas sobre saúde mental e comportamento dentro das instituições

Angola /
03 Jan 2019 / 13:05 H.

Um dia trocou o seu “bom” emprego em Gestão de Recursos Humanos para viver na plenitude a sua antiga paixão, aposta ganha. Pois em tempo record, Catarino Luamba não só começou a leccionar em duas instituições de ensino superior, como também lançou a primeira revista que versa a saúde mental intitulada “Psicólogos Angola”.

No primeiro Brunch de 2019 que deu-se no Restaurante Puro Malte, ficamos a saber de onde vem e para onde vai esta promessa nacional. Nascido há 30 anos, Catarino saiu do Cuanza Norte em 1997 para fixar residência em Luanda, onde passou por vários bairros adaptando-se à “cultura” de cada um. Porém, as melhores vivências segundo conta, foram passadas no Morro Bento onde conheceu as melhores pessoas, “e são elas que guardo e levo comigo”, pessoas estas com quem partilhava o mesmo sonho que considerava comum entre as crianças, “ser piloto”. Imutável, defende que a personalidade é algo inato e que a probabilidade de ser moldada por eventos externos é quase nula. “Digo isso porque já estive exposto a situações de alta delinquência, mas estou aqui hoje firme como a fé”. Conclui, que “tirei um grande aprendizado sobre todos os bairros por onde passei”, resumindo que foram muitos os desafios da “grande cidade”, porém orgulhando-se principalmente de ter “contornado” os rótulos dos que sempre acharam que cairia na delinquência. Idealista, olha para si como um “pássaro que adora voar através da imaginação”, já que nem sempre se pode ver a criatividade de forma palpável. “Quase tudo o que sou é subjectivo e nem sempre consigo explicar, mas sei que sou teimoso, optimista, aventureiro... Acredito que tudo que é possível mesmo quando não parece”, detalhou.

Do Rap para o empreendedorismo

A par do empreendedorismo, Luamba tem grande afeição pelas artes, particularmente o Hip-Hop, manifestações que ajudaram-lhe a se firmar-se profissionalmente. Comprometido com todos os seus sonhos, o seu primeiro emprego remunerado foi como motorista que desempenhou com máxima responsabilidade. Este desafio catapultouo rapidamente para a Gestão de Recursos Humanos, numa altura que considerava este o seu emprego de sonho. “E continua a ser, mas não numa vertente tão burocrática como anteriormente, mas na área de formação e treinamento”, acrecentou, assumindo que nasceu para ser um explicador. Ironizando, afirma que é um jovem de “30 anos com experiência de 60”, mas entende este aglomerado de conhecimentos como resultado de uma vida de nómada e convivido com as mais variadas realidades e personalidades. “Eu acredito em anjos. Não os do céu, mas de pessoas que atravessam o meu caminho e me fazem enxergar o melhor que há em mim, e de outras que dão-me a oportunidade de fazer o que gosto”, completou o actual professor de psicologia da faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto e UnIA.

Fundação da revista de especialidade Psicológos Angola

Idealizada em 2014, foi fundada e apresentada pelo Cientista Social em 2016. A publicação representou o culminar do sonho de um recém-formado, tida para outros especialistas catedráticos da área como um “marco histórico” por ser a única que abarca a saúde mental e o comportamento humano, bem como uma das primeiras em Angola no segmento das publicações de especialidade. “Depois de realizar o sonho da minha mãe que era ter um filho professor, a revista foi a materialização do meu sonho”. A publicação, segundo revelou, foi o primeiro passo para a criação de outros serviços especializados em psicologia, actualmente, o empreendedor coordena várias outras vertentes como: consultoria em RH e formação, Gestão de consultas psicológicas, edição de livros, gestão de carreira e o mais recente `Psychologist Talk´. Um encontro bimensal que promove um debate entre especialistas, para o qual, estudantes e o grande público são convidados a participar no certame que “catolicamente” decorre na União dos Escritores Angolanos.

Perspectivas para o futuro

Questionado sobre os seus planos para o futuro, faz uma antevisão do lançamento da revista nas dezoito províncias de Angola, tal como a internacionalização da marca. “Ser um profissional renomado na minha área de formação, um bom professor e futuramente ser reitor da maior Universidade de Angola”, acrescentou. Ao passo que a nível pessoal objectiva “ser um bom pai para os meus rebentos”. Os modelos de vida que o inspiram e adopta são baseados em teorias de Domingos Barros Neto e Carls Rogers, cujas filosofias estão alicerçadas na terapia não-directiva, em que a tarefa do professor é liderar o caminho para que o estudante aprenda o que quiser. Colocando-se na posição de ”simplificador” de aprendizado. O seu gosto pela leitura também está virado para a psicologia, cujas preferências recaem para os livros: Tornarse Pessoa de Carls Rogers, Ética e Vergonha na Cara de Clóvis e Cortela e Psicologia Positiva de Snider e Lopez. Optimista, olha com bons e sempre com a esperança que o amanha será melhor, “com o novo presidente já vejo alguma luz no fundo túnel, tendo em conta a postura tomada pelo mesmo”, perspectivou.