Brunch With...Palmira Rodrigues

A Engenheira destemida que tem como palavras de ordem o rigor e a resiliência, fala sobre o seu percurso de vida, desde a sua formação às suas aspirações.

Luanda /
17 Jun 2019 / 08:58 H.

Jovem e sonhadora, é a irmã mais nova de uma família de quatro rapazes, que nasceu na cidade de Luanda. Palmira,de uma altura incrível, passou toda a sua infância no bairro Maculusso com os seus irmãos. “Os meus pais são originários de Malange e na altura vieram para Luanda devido a situação de guerra. Foram viver no Bairro Popular onde todos os meus irmãos nasceram e fui a única que nasci na cidade’’, recorda sorrindo.

Palmira sempre teve o suporte dos seus pais, que sempre fizeram de tudo para que não faltasse nada a família. Contudo caracteriza a sua infância como extraordinária. ‘‘Eu gostaria que os meus filhos tivessem a mesma educação que eu tive, para poderem dar valor aquilo que nós temos’’, reflectiu. Palmira diz que teve vários sonhos enquanto criança, mas um deles era com certeza fazer a formação superior em Engenharia. ‘‘Eu não sabia em que ramo da engenharia estaria, mas sempre sonhei ser chamada por engenheira ou arquitecta’’, revela.

A nossa convidada começou os ensinos primários com os seis anos de idade na escola do prédio do Livro, depois partiu para o Muto-ya Kevela fazer desde o quinto ao oitavo ano. De seguida, foi para o Pré-Universitário fazer as Ciências Exatas, a prior a ideia não era fazer o PUNIV, mas sim o IMIL, porque, segundo ela, gostava de ciências como Matemática e física. Depois de ter terminado o ensino médio em 1999, foi para a Faculdade de Engenharia na Universidade Agostinho Neto (UAN). ‘‘Fui inscrita por acidente pelo meu primo em engenharia Electrotécnica, entretanto, fiz o primeiro ano, e mudei-me para o ISPRA, onde fiz Engenharia de Sistemas Informáticos, no qual tinha mais interesses’’, comentou. Enquanto fazia a licenciatura, a engenheira conseguiu para a Sistec como estagiária, e com o reconhecimento

do seu trabalho passou a fazer parte dos quadros da empresa considerando este como seu primeiro emprego oficial, onde tinha a responsabilidade, como outros técnicos, de prestar assistência e manutenção de equipamentos e Softwares de diversas empresas e apoio domiciliar, bem como de forma interina liderava a equipa na ausência da sua chefia. Em visita a clientes ouvia: lugar de mulher não é na cozinha?”. Mas isso só deu mais força e vontade de lutar pelos seus objectivos e conquistar o seu espaço pela dedicação e trabalho prestado. ‘‘Eu penso que a Sistec é uma das melhores empresas (escolas) que poderia ter passado e que cá em Angola à nivel de sistemas informáticos. Pude aprender muito e devo parte da profissional que sou ’’, opinou...

O desejo de acrescentar valor à sua formação era tanta que idealizava fazer o curso de línguas, depois de terminar a Universidade. Porém, dadas várias razões não lhe foi possível realizar, mas ainda tenciona fazê-lo.

Em 2008, recebeu uma proposta bastante desafiadora, para integrar uma equipa jovem de Engenheiros que dariam suporte a empresas de telecomunicações.

Esta fase passou com a integração na multinacional de telecomunicações que é a Ericsson, empresa sueca onde esteve durante oito anos como engenheira de integração de 2G e 3G. Acredita que foi uma experiência de vida com muitos altos e baixos, era a única mulher técnica local e o esforço era a dobrar, trabalhando várias vezes nos turnos da noite e com deslocações em províncias. Mais tarde foi enviada para um Estágio a Portugal, onde teve a oportunidade de ganhar conhecimento com outras operadoras Móveis. Depois de 4 anos, passou para um cargo de Gestão de Clientes, onde tinha a responsabilidade de tratar de toda a parte de vendas, negociação de serviços e equipamentos para a Operadora Móvel Movicel, pois foi na altura do lançamento do GSM, no qual fizemos parte do projecto.

Foi então, com uma força intrínseca que em 2012 decidiu fazer o MBA em Administração de Empresas pela Universidade Politécnica de Madrid. ‘‘Custou-me muito por causa da carga horária de trabalho que tinha e teria de conciliar com a família’’, explicou.

Passados oito anos na Ericsson, submeteu-se a outro desafio no final de 2016, não mais como gestora de vendas para a Movicel, mas sim como funcionária da Movicel , responsável do Departamento de Roaming e Interligação no qual lidera até hoje uma equipa com foco nos resultados. Foi também Directora interina de Empresas.

Perspectivas e Inspirações

Quando foi contratada pela Movicel, Palmira Rodrigues tinha como objectivos a partilha de metodologias e experiências adquiridas na multinacional Ericsson, argumentando que parte dos seus objectivos pessoais passam por servir de inspiração a todos os que pretendam

fazer a diferença, pois ‘‘no fim do tudo é sempre bom percebermos que aquilo que fazemos tem um impacto positivo na vida dos outros. Não basta inspirar para ganhar a vida, mas inspirar para fazer a diferença.”

Não ambiciona ser meramente reconhecida como responsável de um departamento, mas sim como mentora de uma equipa de profissionais que contribui para o crescimento da empresa, tanto a nível geral como a nível individual. Para um futuro, Palmira vê-se como empreendedora. ‘‘Para isso é necessário ter uma grande capacidade de nos reinventarmos e dar o máximo de nós todos os dias, com disciplina e perseverança ”, diz ela...

‘‘Para a nossa convidada, um dos momentos mais marcante de sua vida, foi o da maternidade. ‘‘Nunca desista dos seus sonhos’’ de Augusto Cury, é o livro pelo qual Palmira se inspira para a realização das suas tarefas. Em nota de conclusão, a brunchista aconselha aos jovens líderes a não desistirem dos seus sonhos e a irem à luta, pois o sucesso é uma decisão nossa.