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Brunch With...Melanie Figueiredo

A carismática e especialista em Gestão de Negócios conta sobre as diversidades porque teve de passar até criar a sua própria empresa.

Angola /
10 Mai 2019 / 10:49 H.

Natural de Benguela, Melanie Figueiredo, é casada e tem uma filha de oito anos. Desde muito cedo que esteve dividida entre Angola e Portugal, concretamente entre Benguela e Lisboa, recorda que teve uma infância muito boa, pois sempre esteve em contacto com a natureza e com a família. Em 1996, aos 14 anos de idade, os seus pais decidiram enviar-lhe para Lisboa, devido a instabilidade política que o país vivia. ‘‘Creio que a situação de guerra unia mais as pessoas, na altura havia muito o ‘espírito de entre ajuda’, algo difícil de encontrar nos dias de hoje’’, lamentou. Depois de terminar o ensino secundário, ficou a trabalhar para a Portugal Telecom/Telepac durante dois anos e de seguida foi para Birmingham, Reino Unido, fazer a licenciatura. Confessa que desde cedo sempre sonhou gerir um hotel à beira mar e nesta vertente, em 2002, decidiu candidatar-se numa das melhores universidades, em termos de formação hoteleira da Europa, começando o curso em Gestão de Hotelaria e Turismo em Setembro de 2003, na Birmingham College of Food Tourism and Creative Studies.

“Após seis meses de formação, apesar de ainda continuar a gostar de gestão hoteleira, verifiquei que afinal não era o que achava, então pedi a transição para o curso de Estudos de Negócios e dei-me muito bem’’, revela. Acrescenta ainda de que não se arrepende por ter feito a troca, fez um upgrade para a licenciatura em Empreendedorismo, foi distinguida em Finanças e hoje Melanie é licenciada em Business Enterprise, terminando o curso em 2007.

Percurso profissional e a criação do E-42o

Com o potencial para contribuir para o desenvolvimento do país, a empreendedora decidiu regressar para Angola, imediatamente procurou por um emprego, recebeu diversas propostas, porém decidiu aceitar aquelas que se adequavam ao seu perfil, principalmente em projectos de desenvolvimento do país e começou a trabalhar na Consult, Lda, uma empresa de consultoria angolana.

Participou em projectos como o Aldeias Rurais, Presild e em 2008 no COCAN como consultora. Em 2009 passou para Directora de Projecto, numa empresa do mesmo grupo, onde participou no desenvolvimento de projectos ligados a habitação, ao turismo e também na captação de financiamento.

Em 2011, a gestora teve a sua primeira filha e assim decide regressar para Benguela, abraçando um projecto relacionado a área de consultoria, em simultâneo deu início à um projecto seu denominado ‘‘Estúdio 42’’, uma empresa na área de publicidades e imagens corporativa.

Em 2012, com a implementação do programa Angola Investe, Melanie decidiu candidatar-se com o projecto E42. ‘‘Candidatei-me ao programa, fui aceite e implementei o centro de produção Estúdio-42’’, confirmou.

Com tendências de versatilidade, a nossa convidada, revela que enquanto trabalhava para a criação da sua empresa, em simultâneo prestava serviços de consultoria ao INAPEM e a particulares para os programas Angola Investe e o Projovem.

Desafios e ambições

A consultora em negócios argumenta que o empreendedorismo é uma área que requer muita pesquisa e persistência.‘‘Gosto muito de ouvir as ideias dos empreendedores e transformá-las em um projecto; é para mim muito gratificante ver estes projectos a funcionar’’, avança.

Actualmente faz a gestão da área administrativa dos recursos humanos e financeira do seu projecto Estúdio-42, para além disso presta serviços à particulares a nível da consultoria de gestão, estudo de viabilidade económica e financeira e planos de negócios. Trabalha na MGF comércio e indústria, Lda que é uma empresa que faz a gestão do E-42, prestando também consultoria.

Melanie considera-se autorrealizada, porém almeja expandir o seu projecto, assim como o seu crescimento à nível nacional, internacionalizar os serviços prestados e ajudar captar mais investimentos para Angola. ‘‘A minha ambição é tornar a empresa numa escala de maior dimensão, mas dentro desta área que me realiza’’, explica.

A convidada revela também que teve dois momentos mais altos do seu percurso profissional que foi descobrir a área empresarial e a criação da empresa MGF que fez a implementação do E-42, através do programa Angola Investe. Conta neste brunch que não teve dificuldades na preparação, no entanto, as dificuldades surgiram na implementação do seu projecto devido a excessiva burocracia dos procesos. Adepta em leitura, Melanie aprecia muito os livros de história de vida real e aos novos gestores recomenda o ‘‘Livro Negro do empreendedor.

Tem como modo de vida o trabalho rigoroso e a persistência, pois acredita que é com o esforço que se consegue atingir os objectivos preconizados. Aborda ainda que nesta área se ouve muitos nãos, entretanto, desafia os líderes e os futuros gestores a transformarem o ‘não’ em ‘sim’. E em tom de conclusão, a consultora aconselha os empreendedores, primeiro definir bem o que pretendem fazer e depois reunir as condições para a sua execução.