Brunch With...Lília Miguel

Conheça o percurso histórico da consultora, formada em Informática de Gestão, que se tornou Directora de Compras e Contratos da Unitel.

Luanda /
12 Abr 2019 / 16:30 H.

A destemida profissional de compras e contratos da Unitel apresenta-se como defensora da excelência, num discurso em que a formação é a palavra de ordem.

Lília Miguel nasceu na Gabela, província do Cuanza-Sul. Aos três anos foi com os pais viver para a cidade do Cuito, Bié, onde passou toda a sua infância. Fez parte da Organização dos Pioneiros Angolanos (OPA), vestia a farda com orgulho e gostava muito de desfilar nos comícios e de participar em todas as actividades que a organização fazia. “Todos os sábados, adorava participar nas actividades de limpeza na escola e cada um levava o seu material para a limpeza das salas com muita alegria’’, sublinha.

Recorda que cantar o Hino Nacional todos os dias, às 07h30 da manhã, é outra boa lembrança e conclui abordando que teve uma infância muito boa e feliz porque gostava muito de estudar.

‘‘Em criança não gostava de comer, mas como adorava ir à escola a minha mãe fazia chantagem comigo dizendo-me: ‘‘Se não comeres não irás à escola’’, então eu comia tudo para ir à escola’’. Adorava (e ainda adora) dançar. Na adolescência, integrou um grupo de dança, com três outras colegas e chegaram a fazer espectáculos, inclusive no Huambo.

Formação académica

Aos 14 anos de idade, veio para Luanda, onde concluiu o ensino primário na escola S. José de Cluny. Devido ao regime de encaminhamento que havia na altura, foi para o Makarenko fazer o curso médio de Química, mas não era o que queria fazer. Quando terminou o ensino médio, em 1992, candidatou-se e foi admitida na Faculdade de Engenharia, da Universidade Agostinho Neto (UAN), no curso de Informática, que era muito exigente: a média para passar de ano era 13 valores.

Feito o 2º ano, o curso que Lília frequentava começou a ter problemas com falta de professores para as disciplinas de especialidade, dada a situação do País naquela altura. ‘‘Eu tinha duas hipóteses: ou mudava de curso ou ia aguardando a disponibilidade de professores para até concluir a licenciatura em Informática, o que poderia levar anos’’, explicou.

À procura de alternativas, os seus pais propuseram que fosse terminar o curso em Portugal. Assim, conseguiu uma vaga na Universidade Autónoma de Lisboa, no curso de Informática de Gestão, cuja estrutura curricular lhe agradou. ‘‘Foi uma experiência que adorei, porque, para além de ter aprendido muito, fiz boas amizades. Quando concluí a licenciatura, consegui um estágio de quatro meses na Caixa Geral de Depósitos, em Lisboa’’.

Enquadramento e Percurso na Unitel

Em 2001, Lília Miguel volta para Angola e consegue o seu primeiro emprego como consultora numa empresa chamada Ice Consulting que fazia implementações de SAP (Sistemas, Aplicativos e Produtos), um software voltado para a gestão empresarial que integra todos os departamentos da empresa. Seguidamente, em 2002, foi integrada como consultora no projecto de implementação SAP na Unitel, para Processamento de Dados.

Durante a execução do projecto foi convidada, em 2003, para fazer parte dos quadros da Unitel pelo Dr. Diogo Santa Marta, o que aceitou com agrado. Foi igualmente desafiada a ser responsável pela gestão dos materiais vendáveis, por dar suporte a todas as operações SAP com os consultores, assim como dar formação aos colaboradores. ‘‘Ao longo desse período, aprendi muito com todas as equipas que integravam a Unitel. Lembro-me que, quando era preciso, trabalhava até de madrugada’’, afirmou.

A empresa sofreu uma reestruturação orgânica e, em 2009, foi nomeada Chefe de Departamento de Gestão de Materiais no pelouro financeiro, em que tinha como tarefa adquirir todos os materiais vendáveis, dar suporte às áreas comerciais e à Direcção de Sistemas de Informação. Com esta oportunidade, teve de construir a sua própria equipa de trabalho, sem deixar de dar suporte às actividades anteriores, sempre que necessário.

Três anos depois, houve uma nova reestruturação orgânica e o departamento onde Lília funcionava passou a reportar à Direcção de Serviços Gerais e tendo-lhe sido proposto um novo desafio: a Gestão do Departamento de Compras e Contratos. ‘‘Recordo-me que questionaram se eu iria conseguir implementar a nova área, por ser uma posição difícil e com muito por executar. Sem hesitar, respondi: “Vou conseguir”, regozijou-se.

No início de 2014, foi convidada a participar nas reuniões estratégicas do pelouro financeiro, em que apenas participavam Directores. Em Dezembro do mesmo ano, na festa de Natal da Unitel, foi chamada ao palco para fazer a entrega do prémio do Colaborador do Ano, mas foi surpreendida pelo Director Geral, Tony Dolton, quando este anunciou a sua nomeação como “Directora de Compras e Contratos”. “Foi das melhores surpresas que tive na vida, porque era o maior reconhecimento de todo o trabalho que eu vinha a realizar há mais de 10 anos”, confessou.

Motivada pelos novos desafios, a partir dessa data, começou a trabalhar fortemente na definição estratégica da função de Compras da UNITEL, na organização da Direcção de Compras e Contratos (DCC) e na construção de uma equipa com a robustez que o descritivo exigia.

Ambições e autorrealização

A Gestora ambiciona que a direcção de compras e contratos seja uma referência na Unitel e a nível nacional, pretendendo assegurar a optimização das aquisições de bens e serviços em termos de preço, qualidade e níveis de serviço e com o objectivo de criar valor para a UNITEL e garantir que o rigor e a transparência estejam sempre presentes em todos os processos de compra. Sente-se de igual modo uma profissional realizada, afirmando que até agora conseguiu concretizar grande parte dos seus objectivos. Tem uma equipa de 36 pessoas lideradas por ela, com forte colaboração de dois gestores Séniores e três Chefes de Secção.

Para os jovens empreendedores, recomenda muito estudo e de forma séria, não estudar para passar, mas para terem conhecimentos e competência, através da investigação e da leitura, a busca das melhores experiências, pois, tudo isso já é um meio caminho andado. Acrescenta ainda que o país precisa de jovens com energia, de mão-de-obra qualificada e que tenham força de vontade e atitude. Nesta difícil situação que o País atravessa, os jovens são a força motriz para vencer essas dificuldades.

Finaliza comentando que ser líder é uma prática que se aprende todos os dias, não é fácil e nem toda gente tem o perfil para liderar.