Brunch With...Jurema Ramos

A profissional revela-se uma sonhadora que pretendia ser médica, mas foi para as artes. Conheça o percurso da designer que acaba por utilizar técnicas de arquitectura para a moda.

Angola /
02 Mai 2019 / 08:44 H.

Nasceu no dia 29 de Junho de 1987, em Moscovo, Rússia, devido seus pais que, na época estudavam lá. Passou parte da sua infância em Luanda e na Costa da Caparica, em Portugal, e toda sua juventude em Angola. Influenciada pela profissão materna, revela que, quando criança, queria ser médica como a sua mãe, mas com os 13 anos de idade conheceu a sua vizinha, que se apresenta actualmente como Zola Tomás, que fazia desenhos e croquís de moda e interessou-se imenso por aquele ofício, e ao ver os desenhos da Zola sentiu-se que tinha jeito para fazer o mesmo e começou a desenhar vezes sem contas. Mas revela igualmente que o sonho não era ser estilista, mas sim modelo. ‘‘Eu estava mais direccionada para a medicina, mas depois descobri que aquilo não era o meu mundo, porque eu queria estar com a arte e foi daí que eu mudei de rota’’, revela. Jurema participou várias vezes em castings e nesse percurso teve a oportunidade de conhecer o CEO da extinta agência ‘‘Mambos’’, que fez o convite para ela participar no Angola Feshion Week em 2008. Foi a partir daquele momento que tudo começou, mostrando-se realizada pelo facto dos sonhos se reflectirem naquilo que faz actualmente. Questionada sobre os desafios de viver em outras geografias, a nossa convidada explica que há muita diferença tanto à nivel de oportunidades, como à nível de sonhos. Afirma que quando vivemos dentro de uma caixinha que não está aberta para o mundo, nos limitamos naquilo que temos e quando saímos da caixa, descobrimos um mundo totalmente diferente. Mas acredita que há muito mais oportunidades em Angola, pelo facto de termos um mercado ainda virgem em todas as áreas.

A escolha do curso

A artista fez a primeira parte do ensino primário na escola José Martins, em Luanda, e a outra na escola nº 1 da Costa da Caparica, Portugal, em 1994. Depois regressou novamente para Angola, onde fez até o ensino médio no colégio Bem-Dizer, no curso de enfermagem. Fez dois anos de medicina na Universidade Jean Piaget, mas por não ser o seu foco, acaba por se formar em Arquitectura na Universidade Lusíada de Angola (ULA), durante cinco anos, pois era, na altura, a única Universidade que lhe dava a possibilidade de fazer aquilo que realmente procurava. ‘‘Após ter terminado medicina, como naquela época nós não tínhamos nenhuma universidade no ramo das artes, fiz uma pesquisa no mercado e decidi fazer arquitectura’’ revela. A arquitecta confessa que se não conhecesse a Zola Tomás não estaria a fazer o percurso profissional que faz, pois foi ela quem a briu os olhos, não se arrepende e ama o que faz. Caracterizada por ser perfeccionista e com vontade enorme de fazer moda, Jurema decide ir à Paris fazer o curso de Design de Moda em Paris no Studio Berçot.

Experiências profissionais

A nossa convidada está actualmente concentrada no seu mestrado em Direcção Artística e Marketing de moda na L’École de Condé, em Paris, formação que está a ser financiado pela Força Aérea Nacional. Ainda este ano vai para a África do Sul fazer um ciclo de três meses de estágio, em empresas de marca de modas de Feshion design e depois regressa à Paris para terminar o mestrado. Nesse momento, em Angola, está a presidir um Workshop gratuito no ISARTE, Instituto de Artes no Kilamba no curso de moda. À nível profissional começou em 2008, com a marca Jurema Ramos em Luada. Participou pela primeira vez como sangue novo no Angola Feshion Week e no ano seguinte já como estilista estabelicida. Nos anos subsequentes foi participando em diversos eventos, assim como no Moda Luanda até 2014. Em 2012 foi convidada a participar no Belas Feshion, fez vários desfiles de figura Angola, também trabalhou a cargo de crítica de moda, começou por um simples blogue e depois escrevia para o semanário ‘‘Vida’’ e escreveu também matérias lifestyle para super fashion e chegou ainda a escrever alguns programas de Tv da Zap fashion. Após ter ido a França, fez estágios de alta costura, cinco looks e fez trabalhos no Atlier. A designer de moda conta que nessa jornada não teve muitas dificuldades. ‘‘Desde que fui aceite para os estágios, simplesmente dei o meu melhor, pois eu me entrego de corpo e alma aos trabalhos que faço’’ comenta. Acrescenta ainda que as notas de excelência da licenciatura e o facto de ter saído de Angola contribuiu bastante para esses feitos. Sobre perspectivas, adianta que quer passar para os outros jovens tudo quanto sabe e vem aprendendo através de Workshops e outras formações. Confessa, entretanto, que momento mais alto do seu percurso foi depois do Belas Feshion, a colecção que apresentou. ‘‘Depositei muito de mim na colecção e no tema, foi na época em que faleceu o Jorge Valério isto em 2012, eu fiz uma colecção como se fosse um protesto e consegui causar o impacto que eu pretendia’’, regozijou-se. Em tom de opinião para os gestores jovens, avança que a crise financeira que o País vive actualmente, veio para disciplinar a população angolana e os jovens têm que se reinventar. Aconselha ainda que quando alguém pretender empreender em algum negócio e não tiver capital financeiro suficiente, faça o plano no limite monetário disponível. ‘‘Acredito que um jovem que depende somente do salário do emprego, não consegue sobreviver, por causa da inflação e as contas que estão cada vez mais altas’’, opina. Mas refere em nota de conclusão que o País sofreu uma grande mudança desde há dez anos atrás, ‘‘a mudança da mentalidade’’, e acredita que daqui alguns anos se continuarmos a abrir cada vez mais a nossa mente, alcançaremos o necessário e o suficiente.