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Brunch With... Emerson Paim

Ambições conjugadas com objectivos, que passam pelo desejo de contribuir fortemente para a inclusão económica e financeira, através de uma empresa que lidera e uma plataforma sólida, cujo sucesso perspectiva que aconteça dentro de poucos anos.

Angola /
24 Ago 2019 / 14:15 H.

A entrevista deste Brunch With decorreu no café Matabicho, desta vez, como convidado trazemos o CEO do aplicativo de taxi Kubinga, Emerson Paim. Um jovem sonhador, cujo percurso de vida envolveu altos e baixos que tentaremos narrar resumidamente nas próximas linhas.

Os pontos altos foram construídos numa base mental forte que desenvolveu aos poucos, com práticas que estimulam até os dias de hoje a sua criatividade e capacidade de absorção de conhecimento. Talento que lhe trouxe desde muito novo entendimentos sobre o que é a vida.

As suas ambições estão conjugadas com os objectivos em equipa, que passam pelo desejo de contribuir fortemente para a inclusão económica e financeira através da empresa que comanda e por garantir que se tenha uma plataforma sólida que possibilita o acesso a uma economia organizada, tal que perspectiva que aconteça dentro de poucos anos.

“Em termos práticos o que eu sempre quis acima de tudo, desenvolver a capacidade de contribuir para que algo fique bem feito. Para já estou concentrado no Kubinga, focado em garantir que os vários produtos que existem no projecto surjam no momento certo e que tenha sempre uma aceitação por parte da sociedade”, reflectiu Emerson.

Sente-se uma pessoa abençoada, conta que ter sido pai relativamente cedo foi um dos momentos mais marcantes de sua vida.

“Tenho uma filha de 15 anos de idade, que tem uma capacidade ampla de concentração, ela é um dos motivos que me faz ser persistente no que faço, o seu nascimento foi um dos momentos mais marcantes para mim”, diz com admiração.

Contudo acredita que só acordar todos os dias e ter poder fazer alguma coisa é para si um momento alto. Entretanto, a leitura de obras e autores inspiradores ajudam-no a formar a sua personalidade empreendedora e criativa.

“Aos Ombros dos Gigantes” de Stephen Hawking é o livro que Emerson usa para encontrar inspiração. Para os adeptos de leitura indica o “Why Nations Fail” de Daron Acemoglu. Mas para os que pretendem empreender recomenda o “Pai rico, pai pobre” de Robert Kiyosaki. Tem no seu hobby a prática do desporto e assistir a espectáculos intimistas.

O nosso entrevistado nasceu e cresceu em Angola, passou em escolas como São José de Cluny, Nzinga Mbandi e fez o médio no IMIL(Makarenko).

O seu primeiro emprego foi como estagiário da Rádio Nacional de Angola para a Rádio 5, isso em 1996, aos 16 anos de idade, quando ainda estudava no Makarenko, como técnico de sonoplastia.

Aos 17 anos teve a oportunidade de viajar para Portugal para dar continuidade aos estudos, onde fez o curso de electricidade básica e trabalhava para auxiliar os estudos.

Depois de casar rumou de seguida para a Inglaterra em 2005, onde trabalhou como segurança, também foi colaborador no Barclays Bank, candidatou-se e começou a trabalhar no primeiro Hilton Hotels em 2006. Nesta altura trabalhava das 23h às 7h da manhã, para dar continuidade aos estudos.

“Havia dias que tinha de dormir no carro das 7h às 9h para poder fazer o curso de Engenharia Civil.

Desempenhei as minhas funções em Hilton, entrei como alguém que levava as bagagens dos clientes para dentro do Hotel e depois passei para área de Concierge, fazia bookings, reservas para restaurantes e aluguer de carros”, lembra.

Com um ano e meio no Hilton fez, entretanto, uma formação em Gestão, enquanto gestor de Clientes e Serviços. Teve a oportunidade de trabalhar na KBR, empresa que fez o designer da Refinaria de Lobito. Após essas experiências regressa para as suas origens em 2011.

“Sempre quis aplicar o que estudei, ou seja, Engenharia Civil, e quando voltei comecei a trabalhar como engenheiro de campo na Refinaria de Lobito até 2015”, recorda.

Depois do projecto de construção da Refinaria de Lobito ter sido cancelado, Emerson decidiu investir no serviço de Segurança de Equipamentos. “Na altura poucas empresas tinham possibilidades de entrar num mercado como esse, não por causa da capacidade financeira, mas porque o mercado em si era muito restrito”, refere.

Durante a sua trajectória começou a estudar o tema da mobilidade e percebe como era possível transformar isto numa situação em que houvesse uma forma menos complicada de se movimentar na cidade. Esse interesse foi partilhado para dois amigos, Darryl Nequetela e o Alan Santos numa conversa que tiveram em outubro de 2017.

Entretanto, começaram a estudar sistemas como Uber, Lyft e entre outros, com a ideia de ajudar a transformar a mobilidade em Luanda, tal facto foi possível realizar pelo empenho que a equipa demostrou até a criação e início do projecto Kubinga.

“Estamos desde Março de 2018 a funcionar, em Outubro de 2018 participámos no concurso Seeds Stars Luanda e acabamos por vencer, uma conquista que não estávamos a espera”, comentou com regozijo.

A Startup composta inicialmente por 14 colaboradores já representou Angola na Tanzânia e em Abril deste ano representaram o País na Suíça onde estiveram presentes cerca de 76 Startups de todo o mundo. “Nós amamos muito a nossa ideia e as pessoas não têm noção do sacrifício que fazemos para torná-la exequível”, referiu.

Para os que queiram investir, o ilustre convidado aconselha primeiro a abaixarem as expectativas, ou seja, não fazer gastos com as vaidades actuais, porque pode perigar a capacidade de fazer investimentos no próprio negócio. “Quem empreende traz consigo um produto no mercado e tem que se ter o hábito de fazer poupança”, aconselha.

Para concluir, diz que a situação actual do País oferece muita oportunidade, não obstante que seja um período difícil para os empresários.