Brunch With...Arcanjo Wacunzo

Vencedor do Excellence In Education, narra o seu trajecto até se responsabilizar pela operacionalidade de locomotivas distribuidoras de combustível a nível nacional.

Angola /
30 Nov 2018 / 16:47 H.

Detentor de um curriculum de “gente grande”, com apenas 27 anos, equilibra-se entre o empreendedorismo, a modernização de locomotivas antigas e o comissionamento de locomotivas novas para além de ter finalizado, testado e comissionado as que operam em Angola.

Nascido aos 3 de Julho, em terras do Planalto Central - Huambo-, é o mais velho de seis irmãos e adjectiva o seu percurso académico como “turbulento” porque a sua família viveu mudando constantemente de residência. Assim, fez a pré-primária e a primeira classe na cidade do Huambo, em 1995, tendo-se mudado para Luanda no ano seguinte, “estudei até o segundo ciclo numa escola em Viana, onde havia apenas três salas de aulas - era uma escola da primeira até a oitava classe, mas terminei a oitava classe na Namíbia numa escola situada em katutura, um guetto de Windhoek em 2004”. Por esta altura, sonhava ser futebolista mas o destino colocou-lhe a engenharia no caminho, tendo revelado um potencial que desconhecia.

“Se dependesse de mim seria jogador profissional”, mas por sugestão do seu pai, em 2006 matriculou-se no curso de Quimíca e posteriormente emigrou para o Reino Unido onde estudou Engenharia de Petróleos que concluiu com distinção. “Tive a honra de vencer o prémio excellence inm Education em 2013”.

Regresso às origens

Segundo Wacunzo, chegado a Luanda, a adaptação foi morosa e difícil, porém inevitável, cuja maior dificuldade se cingia às suas deslocações até ao Imil, vulgo Makarenco. “Por vezes, saía de casa às 4 horas da manhã para chegar às 7 horas, e ao regressar apanhava o comboio que saía do Bungo para Viana, depois das 18 horas. Esta era a minha trajectória diária, chegava à casa cansado e tarde, e sem tempo para mais nada”, recordou a sua sacrificante rotina da adolescência, antes ainda de rumar para o Reino unido.

Durante quatro anos a residir na capital inglesa, viveu momentos de auto-conhecimento, porém marcados por grandes embaraços financeiros que obrigaram-no a regressar país e trabalhar por um ano para concluir a licenciatura e pagar o Campus universitário. “Ir para Londres foi uma aventura do meu pai em que aceitei embarcar. Fui estudar sem uma bolsa de estudos, e no meio de tudo as contas foram apertando, mas felizmente terminou tudo bem”, regojizou-se.

Projecção de carreira

A participação activa nas actividades escolares e a performance académica exemplar foram os pressupostos que catapultaram o jovem estudante ao “Excellence In Education”.“Depois de vencer este prémio, a embaixada angolana tomou conhecimento, fui entrevistado pelo Jornal de Angola e a notícia espalhou-se. Ao regressar, senti alguma pressão por parte das pessoas, e hoje sinto que devo dar o máximo para contribuir com o país”, acentuou.

Em 2016, regressou definitivamente ao país e se enquadrado na General Electric. Com orgulho, enaltece um facto,“integrei a equipa que em 2017 transportou cerca de 1.400 toneladas de gás e combustível de Benguela ao Moxico pelos caminhos de ferro, após de 20 anos de interregno”.O conceito que mais preza é o Networking, um preceito que considera fundamental para a concretização dos seus objectivos. “Trabalhei para duas empresas internacionais,- a Dubai pra e a Indiana Selective Marine, esta, uma empresa que opera no Golfo Pérsico, e a primeira vez que fui ao offshore (mar) foi no Irão. Foram ambas grandes experiências, e tudo foi graças a recomendações de ex-colegas da Universidade”, enalteceu.

Profissionalmente, pretende continuar a aplicar toda a habilidade académica acumulada em projectos privados ou públicos, que ajudem a dinamizar mais-valias e façam alguma diferença na vida de outras pessoas. Em paralelo com a actividade que diariamente exerce, desenvolve startups como é o caso da Ambi Reciclo, que reutiliza óleo usado para transformá-lo em sabão detergente em pó e repelente. “É um projecto sustentável e ambientalmente amigo. Queremos crescer e tornar a marca internacionalmente conhecida”, anseia o Cofundador do projecto R-ekumbi, cuja génese assenta na produçãode painéis solares, cujas perspectivas são, alargara produção localmente e tornar-se o maior distribuidor de painéis em Angola; “objectivamos evitar que as pessoas continuem a utilizar geradores eléctricos em suas casas, dada a sua exposição a incêndios, incluindo os gastos com combustível, sendo que temos um recurso renovável em abundância que é o Ekumbi (“sol”, traduzido da língua nacional Umbundo). A par de tais projectos, Wacunzo coordena ainda o embrionário “back to school”, uma empreitada que junta ex-alunos em paletras motivacionais no Instituto Médio Industrial de Luanda.

Envolvido no “SPE green ideas”, monitora debates em universidades que leccionem Engenharia de Petróleos, e finalmente o “Dremneurs”, um projecto solidário com o foco em jovens estudantes socialmente carentes e em escolas precárias, ajudando-os a perspectivar o seu futuro profissional através do conhecimento das aptidões individuais. Pessoalmente, Wacunzo aspira viver num país mais justo e mais livre, e ambiciona ser instrumento dessa mudança. “Faço parte de uma comunidade que sonha e cria sem medo: a comunidade denominada Team arrogância. Tenho plena certeza de que mudaremos o mundo”, acentuou. Quando era mais novo identificava-se com ídolos, tais como Malcom X e Winnie Mandela, porém actualmente, “há alguém em Angola que pela primeira vez admiro, pelo que demostra e representa; é o presidente da República, João Lourenço, acredito que agora temos um líder que naturalmente me inspira”, concluiu.