Os desafios do novo PCA da Zona Económica Especial

Antes de chegar à presidência do conselho de administração da Sociedade de Desenvolvimento da Zona Económica Especial (ZEE) Luanda/Bengo, EP., António Henriques da Silva foi até 2017 o chairman da extinta APIEX (Agência para a Promoção de Investimento e Exportações de Angola).

Em finais de 2010, passa a exercer o cargo de Chairmanda Televisão Pública de Angola (TPA), por dois anos.A sua faceta de gestor e empreendedor revelou-se quando fundou o grupo Topson SA. A sua trajectória é, entretanto, contrária à da maioria dos gestores, ao sair do sector privado para o público, enquanto orienta a sua carreia baseando-se em oportunidades e escolhas.

É licenciado em Engenharia Electrónica e especialização em Telecomunicações e Sistemas de Informação na Universidade de Zagrebe, Croácia em 1996. Detém ainda uma pós-graduação em Gestão de Empresas e Finanças pela Universidade Nova de Lisboa (2005) e o PADE- Programa de Alta Direcção de Empresas e Finanças pelo IESE , Luanda,Lisboa e em Barcelona em 2007.

Um poliglota, fala fluentemente sete línguas entre, as quais, , italiano, croata, espanhol , francês e inglês.Entre 1997 a 1999, foi administrador de sistemas de informação na Texaco, seguindo depois para Unitel, onde exerceu, entre outras funções, a de director de investimentos internacionais e institucionais.

O novo PCA da ZEE substituiu, há uma semana, António de Lemos, na gestão deste que foi desde a concepção um dos projectos estruturantes da política sectorial, no período 2009-2011. E inserida no Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) 2013-2017, dois anos depois da inauguração. Quase metade das indústrias que deviam funcionar na ZEE está inoperante. O projecto inicial contemplava a criação de 73 unidades. Chegaram a iniciar actividade 55 empresas, das quais em funcionamento efectivo estiveram 24 sob a gestão da SIIND (Sonangol Investimentos Industriais).

A ZEE foi inaugurada em Maio de 2011, um investimento aplicado através da Sonangol que superava os 150 milhões USD até ao ano de 2013. Altura em que já estavam em funcionamento 17 unidades. A ZEE garantiu pelo menos cinco mil empregos directos. Hoje, o primeiro pólo de desenvolvimento industrial em condomínio é o retracto fiel do quadro de crise de que enferma o parque industrial em Angola.

A depender grandemente da retoma ou revolução do sector produtivo, António Henriques terá de puxar pela veia empreendedora para incrementar a arrecadação de receitas por meio de novos negócios e aplicar novos critérios de qualidade e eficiência na gestão. Desenvolver um plano estratégico assertivo e aplicar as inovações tecnológicas esperadas, com vista a aumentar o desempenho e melhorar a prestação de serviços, como os de segurança, imigração, bombeiros, bancários, restauração e recolha de resíduos sólidos.

Na perspectiva de apoiar a diversificação da economia, poderá ainda rever e possivelmente ajudar na activação (em alguns casos, reactivação) de projectos já aprovados pela anterior administração. O novo conselho da administração terá ainda pela frente a questão da capacitação institucional da Sociedade, ao nível do capital humano com a criação de centros de formação técnica e da gestão empresarial, bem como a criação de incubadoras.

Ao nível das infra-estruturas, deve estar à altura para responder à elevada procura de lotes infra-estruturados por parte dos investidores e concluir os cinco edifícios centrais. Por último, mas não menos importante, aponta-se para a necessidade de se implementar mais projectos nos ramos da agro-indústria, materiais de construção, metalúrgicas, metalomecânica, máquinas e equipamentos agrícolas.

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