Visita de Costa a Angola terá dimensão económica e política “muito importante”

Augusto Santos Silva falava aos jornalistas no final de uma audição na comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, depois de o Presidente angolano, João Lourenço, ter declarado que a visita oficial de António Costa a Luanda acontecerá ainda este ano, e não está dependente do processo que envolve o ex-vice-Presidente angolano Manuel Vicente.

Para o chefe da diplomacia portuguesa, esta posição de João Lourenço é “a constatação de um facto elementar”, depois de o processo que corria em Portugal envolvendo Manuel Vicente ter sido transferido para a justiça angolana.
Hoje, em declarações à imprensa em Estrasburgo, João Lourenço disse que a visita oficial de Costa não “tem nada a ver com o processo Manuel Vicente” e “só depende do acerto de calendários”.

“As autoridades angolanas fizeram depender a passagem à fase da marcação em concreto da reunião [entre António Costa e João Lourenço] da transferência do processo, que foi concluída no fim do mês de junho”, recordou hoje Santos Silva.

Tal significa, prosseguiu, “que o novo embaixador de Angola apresentará brevemente as suas credenciais e o ministro das Relações Exteriores de Angola visitará Portugal entre 09 e 10 julho”, estando prevista uma reunião entre os dois chefes da diplomacia, sendo “um dos pontos da agenda a preparação da visita do primeiro-ministro a Angola”.

“Estamos na fase em que estamos a marcar datas. Há datas que interessam às autoridades angolanas em relação às quais o primeiro-ministro português pode ter outros compromissos internacionais, o mesmo se pode verificar reciprocamente”, comentou.
Santos Silva referiu que “a preparação de uma visita do primeiro-ministro português implica um trabalho condicente com a dimensão dessa visita”.

“Teremos uma dimensão económica muito importante, teremos uma dimensão política muito importante, teremos uma dimensão de contacto com a comunidade portuguesa residente em Angola muito importante, teremos uma dimensão de cooperação bilateral absolutamente decisiva, porque estamos neste momento a rever o programa de cooperação entre os dois países”, disse, acrescentando: “Isso dá uma envergadura à visita que não é apenas uma pessoa meter-se num avião, ter uma reunião e ir embora”.

Antes, o governante tinha sido questionado sobre a forma como o Governo encarou a deslocação do presidente do PSD, Rui Rio, a Angola, onde foi recebido por João Lourenço, no final da semana passada.

“A política externa não é uma corrida para ver quem chega primeiro ao berlinde que pretenda”, comentou.

Santos Silva referiu ainda que “se nós remarmos todos para o mesmo lado, em política externa, o barco do interesse nacional anda mais depressa”.

“Se as relações entre partidos ajudam a política externa portuguesa, que tem essa característica de ser uma política de continuidade e com grande consenso nacional, o ministro de Negócios Estrangeiros só pode congratular-se com isso”, afirmou.

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