Vinhos não certificados valem 18 milhões EUR das exportações lusas para Angola

Por Edjaíl dos Santos

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Mais de 70% dos vinhos consumidos em Angola são oriundos de Portugal, dos quais 30% não são certificados, ou seja, não cumprem as regras de origem e teste para que sejam considerados vinhos de qualidade, o que em valor representa 18 milhões EUR das exportações da bebida para o mercado angolano, revela gestora da ViniPortugal, Andrea Guimarães. “Os vinhos portugueses não certificados são vinhos sem uma região específica, que têm apenas uma descrição de origem ‘produzido em Portugal’, costumam ser comprados em grandes quantidades e vendidos mais baratos. Notamos que, desde o início da crise, se consome mais vinho barato, pensamos que é por causa da perda do poder económico das pessoas”, observa a gestora do mercado de Angola da sociedade que promove os vinhos lusos em Angola.

Andrea Guimarães adianta que trabalham para que os vinhos certificados tenham mais aceitação porque garantem qualidade e estão sujeitos a regras e leis, assim como a uma câmara de provadores que dá uma certificação. “Os vinhos mais baratos não mostram qualidade, mas já representam em exportações para Angola 18 milhões EUR, um crescimento de 90% em 2017, e os certificados valem 24 milhões EUR, uma subida de apenas 21%, mas, como são mais caros, o valor é mais alto”, explica Andrea Guimarães.

Com uma boa aceitação junto do mercado angolano, os vinhos portugueses têm assinalado um crescimento significativo e um aumento sustentado de vendas. Dos mais de 26,7 milhões de litros de vinhos portugueses importados por Angola em 2017, mais de 7,5 milhões de litros são de vinhos certificados (DOP).

O maior consumo em Angola é dos vinhos do Alentejo, com 41%, e depois dos da região do Douro, com 12%. “Dos 70% de vinhos portugueses consumidos em Angola, 30% não são certificados, sendo que é aí que temos de melhorar. Os países mais quentes preferem os vinhos do Alentejo porque é uma região de Portugal onde que faz muito sol, e isso deixa a fruta mais doce, o que resulta num vinho mais adocicado e apreciado pelos angolanos”, aclara a gestora.

As exportações de vinho português para Angola continuam a evoluir de forma positiva. Depois das acentuadas quedas verificadas em 2015 e 2016, 2017 apresentou-se como um ano de inversão da tendência, fechando com uma taxa de crescimento de 40% no valor exportado. “40% é óptimo, mas ainda estamos muito abaixo do crescimento que atingimos nos anos que antecederam a crise”, adianta.

Os principais concorrentes de Portugal são, por ordem decrescente de quota, Espanha, França, África do Sul e Itália. “Com base nos dados de 2016 e nas exportações de 2017, estamos certos de que Portugal ocupa o primeiro lugar na escolha dos angolanos, com uma quota entre os 73%, seguindo-se a Espanha, com 9%, a França, com cerca de 7%, e a África do Sul, com 6%”, explica Andrea Guimarães, gestora do mercado de Angola da ViniPortugal.

No cômputo geral, Angola representa 30% da exportação de vinhos portugueses para o mundo. É dos poucos países em África com uma cultura de vinho, a África do Sul também tem, mas é mais para a classe média/alta. Ao nível do negócio, o mercado angolano representou 46 milhões EUR nas exportações de vinhos portugueses, do total de 770 milhões EUR em vinhos que o país exporta para o mundo, onde se registou um crescimento de 8%, sendo que o mercado angolano é o segundo que mais importa, numa lista liderada pelos Estados Unidos da América.

Em Junho, é sempre dedicada uma semana a Angola com prova de uma variedade de vinhos e formação para comerciais e profissionais da rede de distribuição e retalho de Angola, tendo neste ano sido seleccionados três supermercados, e no ano que vem serão outros a beneficiar dessa estratégia da ViniPortugal. “Precisamos de formar as pessoas para que as pessoas que estejam a vender o produto consigam informar o cliente final”, vinca Andrea Guimarães.

Em relação aos locais de venda, a gestora da ViniPortugal conta que não têm dados actualizados, mas os números de 2012 informam que 44% dos vinhos portugueses são comercializados no mercado formal, restaurantes e lojas, e 56% são vendidos na informalidade. “Mas já não acredito nesses números pelo que acompanhei durante o tempo que estive em Angola”, observa. Entre as dificuldades do mercado angolano, as formalidades alfandegárias, que às vezes impedem que muitas marcas cheguem a Angola, e a escassez de divisas, que é transversal a todos os sectores no País, têm criado obstáculos ao trabalho, porém acreditam que o segundo semestre será melhor.

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