Reservas estão em mínimos de 2010

A informação resulta de dados preliminares do Banco Nacional de Angola (BNA), compilados hoje pela Lusa, sobre as RIL, que no espaço de um mês diminuíram o equivalente a 1.412 milhões de dólares, praticamente anulando o crescimento verificado no mês anterior.

Não são adiantados motivos para esta forte quebra, mas o BNA tem em curso desde maio um programa para liquidar pagamentos em atraso ao estrangeiro, necessitando para tal de vender divisas aos bancos comerciais, recorrendo às RIL.

Estas reservas, de moeda estrangeira e que também servem para pagar as importações, equivalem às necessidades de cerca de seis meses de importações por Angola, e tinham atingido em Maio o valor mais alto desde Outubro de 2017.

Desde as eleições gerais de 23 de Agosto, que levaram à chegada ao poder de João Lourenço, estas reservas, que se mantêm em mínimos desde 2010, já caíram cerca de 2.500 milhões de dólares, uma quebra de cerca de 16%.

O BNA tem utilizado estas reservas para vender divisas aos bancos comerciais e garantir a importação de alimentos, máquinas e matéria-prima para a indústria, que por sua vez estão a menos de metade do valor contabilizado antes da crise da cotação do petróleo.

No início de 2014, antes dos efeitos da crise provocada pela quebra da cotação do petróleo no mercado internacional, as reservas angolanas ascendiam a 31.154 milhões de dólares. 

No Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2018, o Governo angolano recorda que o volume de reservas deveria ter sido, na previsão anterior, de 19.000 milhões de dólares no final de 2017. Contudo, com a manutenção da taxa de câmbio ao longo de 2017 – sem qualquer desvalorização do kwanza angolano -, as RIL reduziram-se nos últimos 11 meses de 2017 para 14.480 milhões de dólares.

“O número de meses de importação cobertos pelas RIL situa-se agora em 5,49, abaixo dos seis recomendados pelas metas de convergência da SADC [Southern African Development Community]”, alerta o Governo, no OGE aprovado em Março.

Entre Agosto de 2016 e Julho de 2017, o banco central – que atualmente é o único fornecedor de divisas à banca comercial – ainda aumentou a injeção de moeda estrangeira no mercado cambial primário, com vendas diretas aos bancos.

No entanto, a partir das eleições gerais de 23 de agosto, essas vendas por parte do BNA caíram fortemente.

As reservas contabilizadas pelo BNA são constituídas com base em disponibilidades e aplicações sobre não residentes, bem como obrigações de curto prazo.

Estas vendas feitas pelo BNA foram, entretanto, substituídas em 09 de janeiro pelo regime de leilão de preço com os bancos comerciais, que, em paralelo com a introdução do novo modelo de taxa de câmbio flutuante, definida pelo mercado, fez o kwanza depreciar-se já 36% face ao euro.

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