Dificuldade de divisas afecta crescimento mais acelerado da Unitel

Por Edjaíl dos Santos

edjail.santos@mediarumo.co.ao

Qual a avaliação que fazem do sector das telecomunicações neste momento de fragilidade económica?

O sector das telecomunicações é de fundamental importância para um país. Acreditamos que em Angola ele é forte e demonstra crescimento mesmo durante este momento de fragilidade económica. Acreditamos que as telecomunicações fazem parte da solução dos vários problemas socioeconómicos que confrontam a sociedade, e vemos isso a acontecer em todo o País. Todavia, a dificuldade de acesso a divisas tem afectado os investimentos necessários para um crescimento mais acelerado. Mas fazemos uma avaliação positiva do sector das telecomunicações e acreditamos que, uma vez ultrapassada a crise económica, principalmente a questão da disponibilidade de divisas para o sector, empresas como a Unitel irão resumir os investimentos que contribuirão para o fortalecimento da rede de cobertura e da qualidade dos serviços.

Que questões legais deviam merecer atenção?

É muito importante que qualquer investimento no sector das telecomunicações se faça num quadro legislativo, jurídico, que seja justo e transparente. Há questões que afectam o nosso sector neste momento, como a cibersegurança e outras, que exigem alterações à legislação existente. É importante que o poder legislativo acompanhe constantemente o nosso sector, que está em constante evolução, dada a importância deste. Um quadro inadequado impossibilita os investimentos que precisamos de fazer.

Qual a vossa opinião sobre a partilha de infra-estruturas?

O modelo de partilha de infraestruturas é comum no sector das telecomunicações a nível mundial, mas obedece sempre a uma negociação, finalização de um contrato comercial que tem de ser obedecido pelas partes. Isto é, independentemente de qualquer legislação, o tema assenta num acordo comercial.

Vem aí um novo operador, mais concorrência?

Olhamos de bom grado, porque a concorrência sempre nos faz melhorar, desde que seja justa. Vamos ter de competir com base na qualidade dos nossos serviços e preços, e competição, principalmente de uma empresa experiente, vai fazer com que a Unitel seja ainda melhor. Estamos confiantes de que, como a empresa angolana líder no sector, iremos continuar a ser a escolha dos nossos clientes.

Quem é novo concorrente?

Não sabemos ao certo quem será

Com mais concorrência os preços vão descer?

O aumento ou redução de preços por parte da Unitel não é em função da concorrência, mas dos nossos investimentos em infraestruturas e novas tecnologias que a empresa efectua. No entanto, é a intenção da Unitel tornar a telefonia móvel e a Internet cada vez mais acessíveis à população e promover a inclusão digital.

Que novidade apresentará a Unitel para os próximos tempos?

Ao longo dos seus 17 anos, a Unitel tem sido líder na inovação e promoção de novos produtos e serviços. A lembrar, por exemplo, que a Unitel foi a primeira operadora em África a implementar a tecnologia 4G (LTE). Pretendemos continuar a inovar, trazendo o melhor para os angolanos. Por exemplo, em Abril deste ano, lançámos o App Unitel, o aplicativo que permite ao cliente Unitel gerir a sua própria conta. Nisso, o usuário faz o registo e aproveita todas as funcionalidades que disponibilizamos, como: consultar o estado do cartão, os carregamentos, consumos de voz, dados e SMS, o seu tarifário, o saldo de bónus e inclusive o PIN e o PUK. Toda a informação ou serviço que antes, para ver satisfeito, era preciso deslocar-se ao balcão pode hoje fazer-se baixando o aplicativo no telefone.

Qual a perspectiva de aumento de empregos?

A Unitel emprega aproximadamente 3800 funcionários espalhados pelas 18 províncias de Angola, sendo 99% da nossa força de trabalho angolana. Acreditamos no potencial dos jovens angolanos e investimos na sua formação e desenvolvimento com a Academia Unitel, a nossa unidade de formação interna. Para além dos seus trabalhadores directos, a Unitel conta com uma rede de distribuição de mais de 6 mil agentes a nível nacional. Assim sendo, a Unitel emprega directa e indirectamente quase 10 mil angolanos. Investimos também na promoção e crescimento de pequenas e médias empresas com o concurso Unitel Apps Angola, uma iniciativa que visa essencialmente fomentar e acelerar a inovação, através do incentivo ao empreendedorismo. Neste concurso, identificamos e premiamos os melhores aplicativos nas categorias de jogos, responsabilidade social e tema livre. A terceira edição do concurso está em curso neste momento. Achamos que é uma oportunidade para que as startups angolanas se dêem a conhecer e se afirmem a nível nacional, contribuindo assim para o desenvolvimento do sector.

Como olham para o mercado dentro de cinco anos?

Olhamos de uma forma bastante positiva. Acreditamos que o mercado angolano vai continuar a crescer, principalmente com a melhoria do quadro económico, o que irá permitir à Unitel continuar a investir na construção das infraestruturas necessárias para a expansão de cobertura e melhoria da sua rede. Iremos também investir mais na transformação digital.

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