Yuan inicia concorrência directa com o dólar

Os esforços que a China tem feito para se afirmar mundialmente como uma potência económica de referência acabam de ser reconhecidos pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que, à margem da recente cimeira, realizada em Pequim, anunciou a decisão de que o yuan deve, a partir de agora, ser aceite como meio para as trocas comerciais e usada, também, para reservas mundiais, onde ombreará com o dólar norte-americano.

Trata-se de uma decisão que não se pode considerar inesperada, pelo facto de muitos países africanos já a terem na prática adoptado, mas que se aplaude por colocar clara e corajosamente um ponto final no monopólio que o dólar tem tido como única moeda mundial de referência, tanto a nível das reservas como das transacções comerciais.

Desde que, há dois anos, a China criou, em Xangai, uma instituição bancária alternativa ao Banco Mundial, que teve prontamente a adesão dos principais aliados dos próprios Estados Unidos, que ficou traçado qual o rumo que aquele país queria seguir para sustentar as suas políticas de relacionamento comercial e económico a nível internacional, sobretudo, em relação ao continente africano.

Segundo o jornalista moçambicano Gustavo Mavie, num trabalho publicado em Maputo, a decisão agora anunciada pelo FMI veio confirmar a previsão feita ao então Secretário de Estado norte-ameriano, Henry Kissinger, pelo líder chinês Mao Tse Tung, segundo a qual o seu país, mais tarde ou mais cedo, seria mais poderoso que os Estados Unidos.

Ora, passados mais de 60 anos, essa previsão está prestes a confirmar-se, não obstante na altura Kissinger ter referido que isso não passava de uma “enorme piada”, o que contribuiu para o relaxamento que o seu país teve nas medidas a adoptar para evitar que esta visão se cumprisse.

Especialmente nos últimos 30 anos, os chineses criaram as condições que deixam perceber, claramente, que estão prestes a suplantar os Estados Unidos em quase tudo, sobretudo, no poder económico, com uma reserva de dólares norte-americanos avaliada em cerca de quatro triliões, muito superior à dos próprios Estados Unidos, segundo garantem variados especialistas.

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