Como estamos no 10.º aniversário do colapso do Lehman? “Sistema ainda não está suficiente seguro”

Por: Mariana Adam

“Como estamos no 10.º aniversário do colapso do Lehman? Percorremos um longo caminho, mas não é suficiente. O sistema está mais seguro, mas não suficientemente seguro. O crescimento recuperou”, mas esta expansão não se generalizou a todos os países, escreve esta quarta-feira, dia 5 de Setembro, Christine Lagarde num post do blog no site do FMI.

A directora do FMI considera que o problema da falta de ética permanece e apela a que seja feita uma reforma dentro das instituições, para além do reforço da regulação que já foi feito desde a crise financeira de 2008. “Tudo [o que foi feito] é bom, mas não bom o suficiente“, resume Lagarde neste artigo por ocasião do aniversário de dez anos da queda do Lehman Brothers, que declarou falência a 15 de Setembro de 2008.

Lagarde considera que foi percorrido um longo caminho, mas admite que ainda há desafios a vencer: “Muitos bancos, especialmente na Europa, continuam fracos. A capitalização da banca deveria ir mais longe. A ideia de ‘too big to fail‘ permanece um problema, numa altura em que os bancos crescem em dimensão e em complexidade. Ainda não houve progresso suficiente no que toca à resolução de bancos falidos”.

“Não sabemos de onde virá a próxima crise (…) É necessário abrir bem os olhos e ter um raio de visão o mais abrangente possível para prevermos a próxima crise”, sublinha a número 1 do FMI.

Lagarde considera que dez anos depois a ética também não mudou o suficiente no sector. “O sector financeiro continua a colocar o lucro imediato à frente de prudência de longo alcance, o curto prazo à frente da sustentabilidade. Basta pensar na quantidade de escândalos financeiros que tiveram lugar após o Lehman”, critica acrescentando que “as falhas éticas têm consequências económicas claras”. A responsável apela, assim, a que seja feita uma reforma dentro das instituições, para complementar o reforço da regulação e supervisão.

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