BNA: Economia angolana está passar por fase de estabilização

Manuel António Tiago Dias, que falava na cerimónia de abertura do 10.º Encontro de Estatística dos Bancos Centrais dos Países de Língua Oficial Portuguesa (CPLP), admitiu que, devido a essa queda, desde meados de 2014, Angola atravessa uma situação “difícil”.

O vice-governador do BNA, porém, salientou que, na sequência de um conjunto de políticas e medidas adotadas pelo Executivo, Angola está a viver uma fase de estabilização.

Entre essas medidas, Manuel Tiago Dias apontou o processo de reformas económicas em curso, constantes do Plano de Estabilização Macroeconómica (PEM) e do Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN) para o período 2018/2022.

O também economista angolano destacou também algumas ações para o aumento da competitividade da produção interna, diversificação das exportações e substituição das importações, consolidação fiscal, criação de condições para um melhor ambiente de negócios e atração de investimento estrangeiro e, sobretudo, a política de flexibilização da taxa de câmbio (ajustamentos do mercado cambial).

Reconheceu que, nos últimos anos, a estatística teve maior visibilidade e utilidade, face às constantes crises económicas que eclodiram no mundo, desde 2008, dando como exemplo a melhoria substancial da literacia estatística da população angolana.

Por isso, acrescentou, a consulta e os debates sobre os dados estatísticos dos órgãos produtores de estatísticas oficiais “aumentaram consideravelmente”.

“Deste modo, os bancos centrais, na qualidade de produtores de estatísticas oficiais, são desafiados a melhorar cada vez mais a qualidade das estatísticas por si produzidas, tendo em conta o papel crucial que desempenham como instrumentos eficientes de coordenação e suporte à tomada de decisões, quer dos órgãos públicos, das empresas e das famílias”, disse.

O responsável considerou que o tema central do encontro, “O Papel das Estatísticas na Prevenção de Riscos e Vulnerabilidades do Sistema Financeiro”, mostra o comprometimento das instituições do setor em antecipar novas crises sistémicas, recorrendo-se às informações estatísticas para adoção de medidas de política mais assertivas.

O BNA, assegurou, tem dado primazia à sua função estatística, procurando dotar a área com quadros qualificados e competentes.

Segundo Manuel Tiago Dias, o plano estratégico da instituição 2018/2022 prevê uma série de ações que visam a melhoria da estatística, segundo as boas práticas internacionais, com destaque para a criação de uma central de balanços, compilação das estatísticas das outras sociedades financeiras e compilação da conta nacional financeira.

Por outro lado, prevê a automatização dos procedimentos estatísticos e a redução dos prazos de divulgação das estatísticas, com realce para a publicação da balança de pagamento numa base trimestral.

As compilações das estatísticas das outras sociedades financeiras e da conta nacional financeira, a centralização das informações estatísticas e a criação de um canal único para a respetiva difusão, são ainda outras ações constantes do plano estratégico do Banco Nacional de Angola para o mesmo período.

No encontro, referiu, além das sessões previstas, vai também fazer-se um balanço das principais transformações ocorridas na função estatística dos bancos centrais da CPLP, analisar os diferentes indicadores coincidentes de acompanhamento da atividade económica utilizados por cada um dos bancos centrais, as experiências individuais na captação e inserção das transações informais nas estatísticas produzidas, bem como o papel destas na prevenção de riscos.

Após o discurso de abertura do vice-governador, seguiu-se uma mesa redonda, na forma de videoconferência, subordinada ao tema “Balanço das Principais Transformações Ocorridas na Função Estatística dos Bancos Centrais”, apresentado por João Cadete, do Banco de Portugal (BdP).

Entre outros, a reunião, que decorre até quarta-feira, debaterá temas como “A Relevância dos Indicadores Antecedentes no Acompanhamento da Economia”, “Avaliação da Conjuntura Macroeconómica com Base nos Indicadores Quantitativos de Tendência da Atividade Económica”, “Índice de Confiança dos Consumidores em Portugal – Descrição e Análise Empírica”.

Participam no encontro dos bancos centrais da CPLP – Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique, Macau, Timor Leste, Portugal e São Tomé e Príncipe. A Guiné Equatorial está ausente.

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